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Moradora de Bento fará transplante de medula óssea na luta contra doença rara

Com inúmeras pessoas que doaram sangue, Lauane dos Santos, de 24 anos, conseguiu superar as dificuldades enfrentadas por conta da HPN e da Anemia Aplástica e passará por transplante de medula óssea.

08/04/2021 11h08 Atualizada há 1 semana
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Por: Kevin Sganzerla Fonte: NB Notícias
Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

A união faz a força: o famoso ditado se encaixou à história de Lauane Cristina dos Santos, de 24 anos, que foi diagnosticada com Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) e Anemia Aplástica. As doenças mudaram por completo a vida da moradora de Bento Gonçalves, que passou a conviver com transfusões de sangue quase diariamente. Convivendo com o medo de não sobreviver, devido à falta de material no banco de sangue, ela contou com a união de diversas pessoas, que não só resultou em força, mas também em vida nova à jovem. Agora ela se prepara para uma nova batalha: o transplante de medula óssea, acreditando na possibilidade de voltar a ter uma vida normal.

A HPN é uma doença rara das células-tronco, caracterizada por uma anemia hemolítica, ou seja, quando a medula óssea não é capaz de repor os glóbulos vermelhos que estão sendo destruídos. Já a Anemia aplásica é um distúrbio no qual as células da medula óssea que se desenvolvem em células sanguíneas maduras se tornam danificadas. As células danificadas da medula óssea podem resultar em um baixo número de glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e/ou plaquetas.

Lauane teve os primeiros sintomas das doenças ainda na gestação, há dois anos. Naquele período, o estágio já estava severo, porém não havia nenhum diagnóstico.  “Tive muita hemorragia, muitos problemas por causa das consequências da doença. Já estava em um estágio severo e não sabia disso. Mas sobrevivemos à gestação, e meu filho vai fazer dois anos agora em 2021”, comenta.

No dia 9 de maio do ano passado, Lauane foi internada pela primeira vez, devido ao resultado inalterado do hemograma. Desde a gestação, ela relata que não teve sossego com as hemorragias. Antes mesmo do diagnóstico, a vida de Lauane mudou por completo por conta das transfusões.

Diariamente, a moradora de Bento precisava realizar transfusões de sangue, no entanto, havia pouco material disponível no banco. A doença da HPN a deixou totalmente dependente de outras pessoas. “Minha vida passou a ser transfusão de sangue. E aí entrou a Aapecan, que salvou a minha vida em vários sentidos. Em suporte com advogados, com o doutor Taime Nicola, e através da doação de sangue, pois foram eles que mobilizaram as pessoas para doar”, explica.

Durante um longo período de internação, Lauane conviveu com o medo e a apreensão de morrer devido à falta de material no banco de sangue. “Eu cheguei a achar que ia morrer no hospital, pois estava sangrando muito. Não tinha nada no banco de sangue para eu receber e não tinha previsão de chegar. A Aapecan e a minha família correram para conseguir doadores”, relata.

Através da Associação de Apoio a Pessoas com Câncer (Aapecan), da divulgação nos veículos de comunicação de Bento Gonçalves e da mobilização da comunidade, inúmeras pessoas doaram sangue e ajudaram Lauane a sobreviver e enfrentar as raras doenças. Emocionada, ela relata também a importância da médica Tatiana Reboredo e da equipe de enfermagem do hospital, que não mediram esforços para reanimá-la neste período.

A união fez a vida

Além da Aapecan, do auxílio de familiares e da equipe médica, Lauane também recebeu o apoio das famílias Julkoski e Facchi, do Consulado do Grêmio de Pinto Bandeira, juntamente com os torcedores da Kombi Tricolor, o grupo Sangue de Anjos e a empresa Zegla, que também conseguiram reunir pessoas para a doação de sangue. “Literalmente posso dizer que se hoje eu posso internar para passar pelo transplante para voltar a viver é por essas inúmeras pessoas que decidiram sair de suas casas e doar sangue para que uma pessoa que elas não conheciam pudesse sobreviver”, comenta emocionada.

Com o auxílio de inúmeras pessoas, sendo a maioria delas desconhecida por Lauane, a jovem conseguiu sobreviver até alcançar a sua cura, que será proporcionada através do transplante de Medula Óssea. “Agora estou entrando numa fase para comemorar e lembrar que sem tanta gente eu não estaria aqui. É muita gente mesmo. Doaram-me não só sangue, mas também dias ao lado do meu filho, alegria, vida, tudo”, pondera.

Com muitas lágrimas nos olhos, Lauane agradeceu a todos que puderam ajudá-la a ter uma vida nova, sendo um nítido exemplo da importância da doação de sangue para salvar vidas. “Meu corpo estava se desligando e precisava de outras pessoas para sobreviver, e elas surgiram na minha vida. É algo que não sei explicar. Não sabia que as pessoas podiam ser tão incríveis assim. Obrigada por me darem vida, força para poder passar pelo transplante e alcançar a minha cura”, salienta.

Agora, Lauane inicia, a partir desta quarta-feira (07) a quimioterapia, que deverá durar 10 dias para, posteriormente, realizar o transplante de Medula Óssea para então voltar a viver uma vida normal ao lado do seu filho. Após o transplante, os primeiros 100 dias de Lauane serão de extremos cuidados, pois há maior risco de reações adversas ao tratamento ou de contrair infecções. Aproximadamente um ano após o transplante, as defesas naturais do organismo estão novamente recuperadas e, portanto, Lauane terá sua vida totalmente renovada. 

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