
O Conselho de Administração da Braskem aprovou a preparação para dar entrada em um pedido de recuperação extrajudicial, buscando reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas financeiras — montante equivalente a aproximadamente R$ 56 bilhões. A petroquímica, uma das maiores do país, informou que o pedido ainda será protocolado oficialmente na Justiça.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (24), a companhia destacou que o processo possui alcance estritamente financeiro. Com isso, os contratos operacionais continuam vigentes, e os compromissos com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais seguem sendo cumpridos dentro dos prazos estabelecidos.
Reestruturação internacional e subsidiária
Gran parte do endividamento da petroquímica está atrelado a títulos emitidos no mercado internacional. Paralelamente, a Braskem busca reorganizar as finanças de sua subsidiária no México, a Braskem Idesa, que ingressou com pedido de Chapter 11 (mecanismo equivalente à recuperação judicial) nos Estados Unidos. O plano prevê um aporte de US$ 476 milhões para a manutenção do controle da unidade mexicana.
Resumo do plano de reestruturação da Braskem:
Volume da dívida: Reorganização de US$ 10,9 bilhões (cerca de R$ 56 bilhões).
Escopo: Restrito a obrigações financeiras com bancos e investidores; operações do dia a dia não são impactadas.
Mecanismo: Recuperação extrajudicial via negociação direta com credores para posterior homologação judicial.
Subsidiária: Braskem Idesa em Chapter 11 nos EUA com previsão de aporte de US$ 476 milhões.
Contexto: Impacto da retração de preços no setor petroquímico global e custos indenizatórios da mineração em Maceió (AL).
A decisão ocorre em meio a um ciclo prolongado de margens baixas na indústria petroquímica global. Além do cenário de mercado, o caixa da empresa foi pressionado pelos custos do plano de reparação e remoção de moradores afetados pelo afundamento do solo decorrente da exploração de sal-gema em Alagoas.