
O Governo Federal revisou para cima a projeção do salário mínimo para o ano de 2027, elevando a estimativa de R$ 1.717 para R$ 1.741. Se o valor for confirmado, representará um reajuste de 7,4% em relação ao piso nacional vigente em 2026, que é de R$ 1.621. A nova projeção integrará a proposta do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que precisa ser encaminhada pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto.
A mudança na estimativa decorre da atualização nos índices de inflação calculados pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A taxa acumulada projetada para os 12 meses até novembro passou para 4,93%, impulsionada, entre outros fatores, pelos potenciais efeitos do fenômeno El Niño sobre os preços dos alimentos. Pela regra de reajuste em vigor, o cálculo do piso considera a inflação acumulada do período somada à variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes — equivalente à alta de 2,3% registrada em 2025.
A alteração da projeção tem impacto direto sobre o orçamento da União, uma vez que o salário mínimo baliza o pagamento de despesas obrigatórias de grande porte, como aposentadorias e pensões do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A acréscimo de R$ 24 em relação à estimativa anterior adicionará uma pressão de cerca de R$ 9,9 bilhões sobre as contas públicas.
Resumo da projeção do salário mínimo 2027:
Novo valor previsto: R$ 1.741 (alta de 7,4% sobre o piso de R$ 1.621 em 2026).
Prazo do PLOA: Proposta será enviada ao Congresso até 31 de agosto.
Composição do cálculo: Inflação estimada em 4,93% + crescimento de 2,3% do PIB de 2025.
Impacto orçamentário: Diferença de R$ 24 gera gasto extra de R$ 9,9 bilhões nas contas públicas.
Regra fiscal: Ganho real respeita o teto de 2,5% ao ano estabelecido pelo arcabouço fiscal.
Para evitar um crescimento descontrolado dos gastos obrigatórios que reduza o espaço para investimentos, o governo mantém a aplicação da trava aprovada para o piso. Pela regra, o ganho real do salário mínimo fica limitado ao teto de expansão das despesas do arcabouço fiscal, fixado entre 0,6% e 2,5% ao ano. A nova projeção para 2027 cumpre este limite estabelecido.