
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO — Sul), deflagrou nesta sexta-feira (14) a Operação Expurgo. A ofensiva visa desarticular um esquema de devolução compulsória de salários ("rachadinha"), lavagem de dinheiro e a infiltração de integrantes de organização criminosa na estrutura administrativa da Câmara Municipal de Pelotas.
A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, com o apoio da Brigada Militar e participação dos promotores de Justiça José Alexandre Zachia Alan, Érico Rezende Russo e Mateus Stoquetti de Abreu. No total, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão nos municípios de Pelotas e Capão do Leão, mirando 20 alvos — sendo 19 pessoas físicas e uma pessoa jurídica.
Do total de ordens judiciais executadas, cinco ocorreram na própria sede da Câmara Municipal de Pelotas, abrangendo gabinetes parlamentares e postos de trabalho de servidores investigados. Durante as buscas, as equipes apreenderam R$ 96 mil em espécie em posse de dois vereadores e de um assessor parlamentar, além de farto material documental e mídias eletrônicas.
As investigações tiveram início a partir de relatos prestados voluntariamente por um ex-secretário municipal e dois servidores do Legislativo, confirmados posteriormente por provas digitais e quebras de sigilo financeiro autorizadas pela Justiça. A apuração aponta que comissionados eram obrigados a repassar parte dos salários e que cargos foram loteados para dar aparência de legalidade a membros de facção criminosa e quitar dívidas com agiotas.
Resumo da Operação Expurgo:
Locais de atuação: Pelotas e Capão do Leão (33 mandados de busca).
Alvos: 3 vereadores, 1 chefe de gabinete, 5 assessores/servidores, 3 guardas municipais, 1 ex-assessor e 6 particulares.
Crimes investigados: "Rachadinha", infiltração de organização criminosa, lavagem de dinheiro, peculato, concussão e agiotagem (usura).
Apreensões: R$ 96 mil em dinheiro vivo, documentos e dispositivos eletrônicos.
Origem: Denúncia espontânea de ex-secretário e servidores confirmada por dados bancários e digitais.
Conforme ressaltou o promotor Rogério Caldas, as buscas visam consolidar o conjunto probatório para demonstrar por inteiro as condutas ilegais e responsabilizar os envolvidos.