Quinta, 13 de Agosto de 2026
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Como Bento votou em 2022: concentração elegeu, dispersão não

Guilherme Pasin recebeu 40% dos votos da cidade para deputado estadual e se elegeu; no federal, os votos se pulverizaram, e Bento ficou sem representante — enquanto brancos e nulos somaram quase 9 mil.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
13/08/2026 às 17h30
Como Bento votou em 2022: concentração elegeu, dispersão não

Os números da última eleição geral em Bento Gonçalves contam uma história sobre o peso do voto — e sobre o que acontece quando ele se dispersa.

Em 2022, o ex-prefeito Guilherme Pasin (PP) recebeu 26.803 votos na cidade, o equivalente a 39,98% de todos os votos válidos para deputado estadual. Foi 8,3 vezes mais que o segundo colocado, Duda Pompermayer (União Brasil), com 3.227. Pasin se elegeu e hoje disputa a reeleição.

Na disputa para a Câmara dos Deputados, o cenário foi diferente. O mais votado em Bento, Paulo Caleffi (PSD), somou 10.744 votos — 16,17% dos válidos. Um número expressivo, mas insuficiente: ele não conquistou a vaga, ficando novamente na suplência.

A queda de Caleffi

O desempenho de Caleffi em Bento chamou atenção por outro motivo. Em 2018, quando também foi suplente e chegou a assumir a cadeira de deputado, ele havia recebido 18.777 votos na cidade. Quatro anos depois, obteve 10.744 — uma perda de 8.033 votos, ou 42,8% do que tinha.

Os candidatos de fora que receberam votos aqui

O ranking dos mais votados em Bento revela outra característica: boa parte dos votos da cidade foi para candidatos de outras regiões do Estado.

Na disputa federal, atrás de Caleffi apareceram Marcel Van Hattem (Novo), com 4.674 votos; Tenente Coronel Zucco (Republicanos), com 4.393; Sérgio Turra (PP), com 3.759; e Marlon Santos (PL), com 3.170. No estadual, atrás de Pasin, apareceram Pepe Vargas (PT), com 2.137, Gustavo Victorino (Republicanos), com 1.376 votos e Rodrigo Lorenzoni (PL) 1.238 votos.

Como foram os candidatos daqui

Entre os nomes ligados a Bento Gonçalves, o desempenho foi modesto. Para deputado federal, vereador José Gava, mesmo sem fazer uma campanha forte, fez 2.846 votos, sexto mais votado na cidade. Letícia Bonassina (Republicanos), hoje vereadora na cidade, recebeu 2.077 votos para deputada federal, oitavo lugar no ranking local. 

Para deputado estadual, o suplente de vereador Duda Pompermayer, a época no União Brasil, foi o segundo mais votado na cidade, com 3.227 votos. O então vereador na época Dentinho (PSD), fez 2.037 votos, e foi o quarto mais votado. O delegado Álvaro Becker recebeu 1.597 votos e foi o quinto mais votado no municípios. Neri Mazzochin, na época no extinto PTB, fez 1.181 votos e foi o nono mais votado.

Os 10 deputados federais mais votados em Bento Gonçalves em 2022

  • Paulo Caleffi (PSD): 10744 votos (16,17%)
  • Marcel Van Hattem (Novo): 4674 votos (7,03%)
  • Tenente Coronel Zucco (Republicanos): 4393 votos (6,61%)
  • Sérgio Turra (PROGRESSISTAS): 3759 votos (5,66%)
  • Marlon Santos (PL): 3170 votos (4,77%)
  • Gava (PDT): 2846 votos (4,28%)
  • Mauricio Marcon (PODEMOS): 2627 votos (3,95%)
  • Leticia Bonassina (Republicanos): 2077 votos (3,13%)
  • Danrlei de Deus Goleiro (PSD): 1493 votos (2,25%)
  • Any Ortiz (Cidadania): 1314 votos (1,98%)
  • Brancos - 7,91%
  • Nulos - 3,90%

Os 10 deputados estaduais mais votados em Bento Gonçalves em 2022

  • Guilherme Pasin (PROGRESSISTAS): 26803 votos (39,98%)
  • Duda Pompermayer (UNIÃO BRASIL): 3227 votos (4,81%)
  • Pepe Vargas (PT): 2137 votos (3,19%)
  • Dentinho (PSD): 2037 votos (3,04%)
  • Delegado Alvaro Becker (PODEMOS): 1597 votos (2,38%)
  • Gustavo Victorino (Republicanos): 1376 votos (2,05%)
  • Rodrigo Lorenzoni (PL): 1238 votos (1,85%)
  • Sergio Peres (Republicanos): 1230 votos (1,83%)
  • Mazzochin (PTB): 1181 votos (1,76%)
  • Fran Somensi (Republicanos): 905 votos (1,35%)
  • Brancos - 7,44%
  • Nulos - 3,57%

O que os brancos e nulos representam

Há um dado que costuma passar despercebido. Em 2022, os votos brancos e nulos em Bento somaram 11,81% na disputa para deputado federal e 11,01% para estadual.

Em números absolutos, isso representa cerca de 8,9 mil votos anulados na eleição federal — quase o dobro da votação que Marcel Van Hattem, segundo colocado na cidade, obteve aqui. E aproximadamente 8,3 mil na estadual.

Se concentrados em um único nome, esses votos descartados teriam sido suficientes para colocar um candidato entre os mais votados do município.

A lição dos números

O contraste entre as duas disputas é o dado mais revelador. No estadual, os dez mais votados concentraram 62,2% dos votos válidos da cidade — e o primeiro colocado, sozinho, levou 40%. No federal, os dez primeiros somaram 55,8%, e 44,2% dos votos se pulverizaram entre dezenas de outros candidatos.

O sistema proporcional, que rege as eleições para deputado, funciona de modo que a força de um candidato depende tanto de sua votação individual quanto do desempenho de seu partido ou federação. Mas o princípio geral se confirma nos números de Bento: voto concentrado elege; voto disperso, não.

Em outubro, a cidade volta às urnas — com cerca de 95 mil eleitores aptos e vários nomes locais na disputa.

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