Quarta, 22 de Julho de 2026
Publicidade

Lula anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço

Medida do Plano Brasil Soberano busca mitigar impacto de sobretaxa de 25% imposta por Donald Trump; RS tem quase metade das exportações para os EUA ameaçadas

Redação
Por: Redação
22/07/2026 às 20h28
Lula anuncia R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifaço
Foto: Evaristo Sa / AFP

O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (22), a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para socorrer empresas brasileiras atingidas pelas novas tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A sobretaxa de 25% entrou em vigor nesta mesma quarta-feira e afeta diretamente setores estratégicos da indústria e do agronegócio, como madeira, calçados, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, cerâmicas e açúcar.

Com a nova medida norte-americana, o Brasil saltou da 13ª para a 2ª posição no ranking dos países mais tarifados pelos EUA, ficando atrás apenas da China (cuja taxa média atinge 27%). O impacto é significativamente elevado no Rio Grande do Sul: segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a medida atinge 48,2% de tudo o que o Estado exporta para o mercado norte-americano, seu segundo maior parceiro comercial.

Plano Brasil Soberano e regras de financiamento

O socorro financeiro integra uma nova fase do Plano Brasil Soberano e será viabilizado por meio de Medida Provisória (MP), assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e enviada ao Congresso Nacional. A proposta autoriza o aporte de recursos do Tesouro Nacional para alavancar financiamentos em bancos públicos.

Conforme a Secretaria de Comunicação Social (Secom), as linhas de crédito poderão ser aplicadas em:

  • Capital de giro e preservação de empregos;

  • Aquisição de bens de capital e investimentos produtivos;

  • Inovação tecnológica, adaptação de processos e produtos;

  • Abertura e prospecção de novos mercados consumidores.

A iniciativa atende companhias prejudicadas pelas Seções 232 (aço, alumínio, automóveis) e 301 (madeira, calçados, máquinas, açúcar) da legislação comercial dos EUA, além de empresas impactadas por instabilidades e conflitos em países do Golfo Pérsico.

Via diplomática sem retaliação imediata

Apesar da escalada nas pressões comerciais e do tom firme em declarações sobre soberania nacional, o Palácio do Planalto descartou, neste primeiro momento, acionar a Lei de Reciprocidade ou adotar retaliações tarifárias imediatas contra os produtos norte-americanos.

De acordo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o governo brasileiro continuará priorizando as negociações por vias diplomáticas e empresariais para buscar a reversão ou atenuação das taxas.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários