Domingo, 19 de Julho de 2026
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Entidades pedem isenção fiscal contra novo tarifaço dos EUA

Documento enviado ao governo Lula propõe desoneração da folha, ampliação do Reintegra e medidas para preservar empregos nas empresas exportadoras.

Redação
Por: Redação
18/07/2026 às 22h48 Atualizada em 19/07/2026 às 09h29
Entidades pedem isenção fiscal contra novo tarifaço dos EUA

Entidades empresariais do Rio Grande do Sul enviaram ao governo federal um conjunto de propostas para reduzir os impactos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. A nova cobrança entra em vigor na quarta-feira (22).

O documento foi encaminhado na quinta-feira (16) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A carta pede uma atuação conjunta do governo, do Congresso e do setor produtivo para evitar demissões e perdas econômicas nas regiões exportadoras.

A tarifa anunciada pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump atingirá produtos brasileiros destinados aos Estados Unidos. A medida, no entanto, possui exceções, entre elas determinados tipos de carne, café e outros itens incluídos em uma lista de isenções.

Entidades pedem isenção de tributos e desoneração da folha

Uma das principais propostas é a isenção total de tributos federais, como PIS, Cofins e IPI, sobre produtos destinados à exportação e sobre as respectivas cadeias produtivas.

O benefício seria mantido enquanto as negociações com os Estados Unidos não resultarem na redução ou retirada da tarifa. As entidades também defendem a desoneração integral da folha de pagamento das empresas exportadoras e de seus fornecedores, sem prazo previamente definido.

Segundo o documento, a redução dos encargos trabalhistas ajudaria a preservar postos de trabalho e dar estabilidade econômica às cidades mais dependentes das exportações.

Reintegra poderia gerar R$ 5 bilhões em créditos

As entidades propõem ainda a criação de um Reintegra Especial para os Estados Unidos. A sugestão é aumentar a alíquota do programa para 5% no caso de grandes e médias empresas e para 8% entre micro e pequenas empresas.

O Reintegra permite que exportadores recuperem parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva. A proposta inclui a liberação imediata dos créditos para compensação de impostos federais ou restituição financeira.

Conforme a estimativa apresentada pelas entidades, a ampliação poderia gerar até R$ 5 bilhões em créditos tributários, beneficiando empresas de diferentes portes. A carta também sugere que os créditos alcancem exportações realizadas desde julho de 2024.

Carta pede negociação e rejeita retaliação imediata

Além das medidas tributárias, o setor empresarial pede que o governo brasileiro intensifique as negociações diplomáticas e comerciais com os Estados Unidos. A intenção é buscar a revisão da tarifa antes que os prejuízos se aprofundem.

As entidades defendem maior aproximação com câmaras de comércio, associações empresariais e investidores norte-americanos. Também propõem acelerar a abertura de novos mercados e a assinatura de acordos comerciais para reduzir a dependência das vendas aos Estados Unidos.

O documento recomenda que o Brasil não adote, neste momento, uma resposta baseada em tarifas de reciprocidade, por considerar que uma retaliação poderia ampliar os custos para empresas brasileiras. Também é solicitada a criação de uma mesa permanente de crise para acompanhar os impactos sobre o comércio exterior.

Quem assinou o documento

A manifestação é assinada pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Dois Irmãos e Ivoti (ACI-NH/CB/EV/DI/IV); pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq); pela Associação das Indústrias de Curtumes do Rio Grande do Sul (Aicsul); pelo Sindicato da Indústria de Calçados de Três Coroas (SICTC); e pelo Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Industriais e Agrícolas de Novo Hamburgo e Região (Sinmaqsinos).

A ACI afirmou que está disposta a participar de missões empresariais, compartilhar informações do setor produtivo e colaborar tecnicamente em iniciativas para fortalecer a competitividade das empresas brasileiras. As entidades aguardam agora a análise das propostas pelo governo federal.

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