
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, classificou como "injusta e descabida" a imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. O pronunciamento ocorreu na tarde desta quinta-feira (16) durante coletiva de imprensa no Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio, um dia após o governo norte-americano anunciar a medida.
De acordo com cálculos do governo federal, o novo tarifaço entrará em vigor no dia 22 de julho e impactará diretamente 18% das exportações do Brasil para os EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. Entre os argumentos levantados por Washington para justificar a barreira comercial estão o uso do sistema Pix, o desmatamento, as tarifas brasileiras sobre o etanol e atritos da Suprema Corte com empresas de tecnologia (big techs).
Como resposta imediata para conter as perdas, o governo federal anunciou a preparação de um pacote de amparo aos segmentos afetados. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou que as empresas atingidas serão chamadas para o diálogo e que o governo estenderá os benefícios do Plano Brasil Soberano para dar suporte financeiro. Entre os setores mais prejudicados estão as indústrias de madeira, calçados, máquinas, açúcar, tabaco, móveis e equipamentos elétricos.
A medida acendeu o sinal de alerta na economia gaúcha. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), cinco dos dez principais produtos exportados pelo Rio Grande do Sul para os Estados Unidos serão atingidos pela sobretaxa de 25%:
Transformadores elétricos;
Dois tipos de tabaco;
Armas;
Calçados.
Entidades industriais temem que a nova cobrança acarrete problemas semelhantes aos registrados em 2025, como a perda de postos de trabalho e a desativação de plantas industriais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou a decisão norte-americana um "marco lastimável", rebateu as críticas ao Pix e sinalizou que o Brasil deverá acionar a Lei de Reciprocidade para retaliar comercialmente os Estados Unidos.