Sábado, 27 de Junho de 2026
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Estudo busca liberar a prática de surfe em ilha do RS após 23 anos de proibição

Pesquisadores do Gemars e surfistas realizam sessões-teste monitoradas para avaliar o impacto ambiental do surfe de ondas grandes sobre a fauna marinha do local

Redação
Por: Redação
27/06/2026 às 17h55
Estudo busca liberar a prática de surfe em ilha do RS após 23 anos de proibição
Onda Proibida. (Foto: Reprodução)

Um dos segredos mais bem guardados e protegidos do esporte radical brasileiro pode estar perto de uma abertura histórica. Há 23 anos, ondas imensas que formam um dos melhores tubos do planeta quebram praticamente sozinhas a cerca de 1,8 quilômetro da costa de Torres, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Trata-se da "onda proibida" da Ilha dos Lobos, local onde a prática do surfe foi formalmente vetada em 2006 para proteger o ecossistema local. No entanto, um novo projeto científico pretende avaliar a viabilidade ambiental para a retomada controlada do esporte.

Autorizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), um estudo liderado pelo Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul (Gemars), ligado à UFRGS, em parceria com a Associação de Surfistas de Torres (AST), vai monitorar a área ao longo de três anos. O objetivo principal é analisar o comportamento da fauna antes, durante e depois de sessões-teste de surfe.

A perfeição da onda e o desafio do "Tow-in"

A bancada de pedras da única ilha marinha do litoral gaúcho reúne características geográficas raras, comparadas por atletas profissionais a santuários do surfe mundial:

  • Estilo Teahupo'o: O surfista Rodrigo Dornelles, o "Pedra" — único gaúcho a integrar a elite do circuito mundial (WCT) —, classifica a onda como a melhor do Brasil. "Ela quebra numa bancada rasa de pedra e dá um tubo muito largo, perfeito, muito parecido com o de Teahupo'o, no Taiti", destaca;

  • Modalidade Tow-in: Devido ao tamanho das ondas e à força da correnteza, o acesso só é possível através do tow-in, técnica na qual o surfista não rema com os braços, mas é puxado e projetado na parede da onda por um jet ski;

  • Refúgio Ecológico: A ilha é classificada como um Refúgio de Vida Silvestre (Revis) por ser o principal ponto natural de concentração de pinípedes (lobos e leões-marinhos) e aves costeiras do Brasil.

O monitoramento vai avaliar se o barulho e a presença das motoaquáticas alteram a abundância dos animais ou geram estresse na fauna. Segundo Federico Sucunza, coordenador de pesquisas do Gemars, os testes práticos servirão para estabelecer uma "carga máxima" de segurança, definindo quantas embarcações e atletas o ambiente pode suportar sem prejuízos ecológicos.

A busca por harmonizar o turismo de aventura e a preservação de santuários naturais é um tema que ecoa fortemente em outras regiões turísticas do estado. Na Serra Gaúcha, o conceito de sustentabilidade atrelado ao desenvolvimento econômico serve de modelo para o ecoturismo. Cidades como Bento Gonçalves, embora focadas no enoturismo e no ambiente rural, frequentemente debatem os limites da capacidade de carga turística em vales e áreas de preservação ambiental para garantir que o avanço de infraestruturas de lazer preservem a paisagem natural e a biodiversidade local.

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