
O Ministério da Saúde anunciou, na tarde desta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a paralisação temporária e preventiva da vacinação contra a dengue realizada com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi motivada pela necessidade de investigar a ocorrência de efeitos adversos severos identificados em pessoas que receberam a vacina.
Os detalhes foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista coletiva concedida em Brasília. Segundo o ministro, foram identificadas 42 reações severas e dois óbitos, que aconteceram nos meses de março e abril. As mortes estão sob investigação e ainda não possuem relação direta de causalidade comprovada com o imunizante.
As reações identificadas não haviam se manifestado nos testes anteriores à aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que envolveram o acompanhamento de 16 mil pessoas ao longo de cinco anos. A vacina Butantan-DV foi aprovada em novembro de 2025, sendo a primeira do mundo em dose única e a primeira totalmente brasileira.
Entre janeiro e 30 de maio deste ano, foram aplicadas 501.044 doses do imunizante, que havia sido incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) no início do ano. O público-alvo era composto por pessoas de 15 a 59 anos e profissionais de saúde. O programa contemplou profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) em todo o país e moradores de municípios selecionados para a ampliação da estratégia: Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).
Ao todo, foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue (0,7% dos vacinados). Desse montante, 42 pessoas evoluíram para sinais de alarme e três foram consideradas graves:
Caso 1 (Recuperada): Uma mulher de 39 anos apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após a vacina, evoluindo para choque e necessidade de UTI, recebendo alta posteriormente.
Caso 2 (Óbito): Uma mulher de 48 cores desenvolveu sintomas graves com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após receber a dose.
Caso 3 (Óbito): Um homem de 58 anos apresentou quadro febril cinco dias após a vacinação, progredindo para choque refratário.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, os três casos graves foram identificados exclusivamente entre profissionais da atenção primária à saúde, e nenhum ocorreu nas cidades que receberam a vacinação em massa.
O diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, ressaltou que a suspensão não invalida a eficácia do imunizante, mas serve para garantir tempo para novos estudos. As doses já distribuídas continuarão armazenadas nos estados e municípios durante o andamento das apurações.
A orientação oficial do Ministério da Saúde é que as pessoas que receberam o imunizante nos últimos 21 dias façam o acompanhamento em uma unidade de saúde e fiquem atentas aos seguintes sintomas:
Febre e piora do estado geral;
Dor abdominal intensa e contínua;
Vômitos persistentes e tontura;
Sangramentos, sonolência intensa ou irritabilidade;
Sinais de desidratação.
Em nota oficial, o Instituto Butantan reiterou o caráter preventivo da interrupção para garantir a segurança da população. O instituto relembrou que a vacina registrou eficácia global de 79,6% (e 89% contra a dengue grave) em publicação científica e que o monitoramento nas cidades de vacinação em massa segue positivo, sem reações importantes.