
O Rio Grande do Sul está em luto oficial na cultura. Faleceu na madrugada desta sexta-feira (29), aos 83 anos, o cantor, gaiteiro e compositor Pedro Ortaça. Reconhecido historicamente como o último expoente vivo dos chamados “Troncos Missioneiros”, o artista foi um dos maiores defensores e difusores da identidade musical e histórica da região das Missões. A informação do óbito foi confirmada oficialmente por seus filhos através das redes sociais.
Natural de São Luiz Gonzaga, Ortaça vinha enfrentando complicações severas de saúde nos últimos meses. O músico passou por sucessivas internações hospitalares recentes para tratar quadros clínicos de pneumonia e edema pulmonar. Mesmo debilitado, ele se mantinha ativo e engajado em projetos artísticos e gravações de estúdio ao lado de sua família.
Pedro Ortaça moldou sua trajetória de mais de cinco décadas de carreira na exaltação minuciosa dos costumes, das dores e das lendas do povo missioneiro. Ao lado de ícones imortais do cancioneiro gaúcho — Noel Guarany, Cenair Maicá e Jayme Caetano Braun —, ele consolidou a estética da música nativista com forte teor social e telúrico, influenciando gerações de instrumentistas no Sul do Brasil e na Argentina.
O reconhecimento de sua obra rompeu as fronteiras dos palcos e festivais nativistas. No ano de 2025, o compositor recebeu a sua maior distinção acadêmica ao ser condecorado com o título de Doutor Honoris Causa por universidades federais do Rio Grande do Sul, uma justa homenagem à sua contribuição antropológica e poética para a preservação da memória oral gaúcha.
Com uma vasta discografia que se tornou peça fundamental de pesquisa sobre o bioma cultural do estado, Ortaça deixa um vazio irreparável na música de raiz. Detalhes sobre os atos de encomendação, velório e sepultamento do corpo do artista em sua terra natal deverão ser divulgados pelos familiares e pela Secretaria Estadual da Cultura (Sedac) nas próximas horas.