Terça, 10 de Março de 2026
Publicidade

Ministério Público investiga excesso de multas no pedágio Free Flow

Mais de 559 mil autuações foram registradas até novembro de 2025 nas rodovias gaúchas.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
10/03/2026 às 18h38
Ministério Público investiga excesso de multas no pedágio Free Flow

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) instaurou no início deste mês um inquérito civil para investigar a legalidade da enxurrada de multas aplicadas aos motoristas que utilizam o sistema de pedágio Free Flow nas rodovias estaduais. A ação, conduzida pela Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, busca esclarecer possíveis falhas operacionais e avaliar alternativas justas para a população após o governo do Estado registrar a marca de mais de 559 mil multas (até novembro de 2025) por evasão de pedágio.

O inquérito foi aberto pelo promotor de Justiça Felipe Kreutz após tentativas frustradas de mediação institucional, que não resultaram em medidas concretas e ágeis por parte do governo estadual para evitar as multas indevidas. Embora afirme que não é contrário ao modelo de cobrança sem cancelas, o promotor avalia que o volume astronômico de autuações evidencia irregularidades e prejudica os usuários.

Atualmente, o motorista tem até 30 dias para pagar a tarifa via aplicativo ou site após cruzar o pórtico. O não pagamento gera uma infração grave de trânsito, com multa fixada no valor de R$ 195,23.

Propostas para evitar multas injustas e cobranças oficiais

Para mitigar o problema de forma rápida enquanto o inquérito avança, o promotor Kreutz propôs duas medidas práticas ao Estado:

  • Aviso prévio: Garantir que todos os motoristas sejam obrigatoriamente notificados de que possuem um débito pendente antes que a multa seja efetivamente gerada.

  • Pagamento atrasado como defesa: Permitir que a quitação da tarifa, mesmo após o esgotamento do prazo de 30 dias, seja aceita administrativamente como defesa válida para cancelar a autuação.

Como parte das diligências, o MPRS já expediu ofícios com prazos rigorosos. O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer-RS) tem 10 dias úteis para detalhar todo o procedimento de autuação, explicando como acessa o sistema das concessionárias e como garante a integridade e a rastreabilidade dessas informações.

Já a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) deverá prestar contas sobre o saldo da "Conta Multa" estipulada em contrato, os valores repassados às concessionárias para compensar a inadimplência em 2025 e justificar a destinação desses recursos. Em paralelo, a Promotoria de Defesa do Consumidor também abriu um inquérito próprio para investigar se a publicidade sobre como o Free Flow funciona está sendo suficientemente clara para a população.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários