
Um caso alarmante em Porto Alegre expõe a fragilidade da segurança para vítimas de violência doméstica no Rio Grande do Sul. Uma mulher, mãe de dois filhos, vive um pesadelo que se arrasta desde 2023: perseguida pelo ex-marido, ela já solicitou mais de 15 medidas protetivas e precisou mudar de endereço nove vezes para tentar sobreviver.
Mesmo com todo esse histórico, a sensação é de desamparo. O agressor, que descumpre ordens judiciais sistematicamente, está atualmente sem a tornozeleira eletrônica. Segundo informações oficiais, o equipamento só deve ser reinstalado na próxima terça-feira, 11 de fevereiro.
O episódio mais recente ilustra o drama. A mulher foi alertada por um vizinho que o ex-marido estava escondido em frente à sua casa. A Brigada Militar agiu rápido e prendeu o homem em menos de 10 minutos.
Porém, o alívio durou pouco. Ao chegar à delegacia, o flagrante não foi homologado pelo delegado plantonista.
"Só recebi um papel e me mandaram voltar para casa. Não entendo como isso é possível", desabafou a vítima, que afirma sentir segurança apenas quando o ex-companheiro está preso ou monitorado.
O delegado Juliano Ferreira, do Departamento de Proteção aos Grupos Vulneráveis, reconheceu a complexidade do caso e afirmou que a delegacia estuda solicitar a prisão preventiva do agressor. Ele ressaltou, no entanto, a necessidade de analisar cada situação com cautela para respeitar o rito legal.
O Poder Judiciário não se manifestou, pois o processo corre em segredo de justiça. Enquanto a burocracia tramita, a vítima segue vigiando a própria janela, esperando que a próxima medida protetiva seja, de fato, eficaz.