
A economia de Bento Gonçalves provou sua resiliência mais uma vez. Segundo dados divulgados pelo Observatório Econômico (OECON) do CIC-BG, o município encerrou 2025 como o maior gerador de empregos da Serra Gaúcha e o nono no ranking geral do Rio Grande do Sul.
No acumulado dos 12 meses, o saldo (diferença entre contratações e demissões) foi de 1.113 novas vagas. O desempenho de Bento foi positivo em 2,3%, um dado que chama atenção ao ser comparado com os cenários estadual e federal, que apresentaram variações acumuladas negativas no mesmo período.
O ano de 2025 marcou um momento inédito para o mercado de trabalho local. Pela primeira vez na série histórica iniciada em 2019, Bento Gonçalves fechou um ano com mais de 50 mil trabalhadores formais (50.215, especificamente).
"Desde o início da série... Bento Gonçalves acumula 6,5 mil novos empregados formais. Pela primeira vez, um ano fechou acima dos 50 mil trabalhadores", destaca Fabiano Larentis, professor da UCS e responsável pelo levantamento.
Os dados revelam uma mudança no motor da economia local. Em 2024, após as tragédias climáticas, a Construção Civil e a Indústria puxaram a fila devido à necessidade de reconstrução. Em 2025, o cenário se normalizou e outros setores brilharam:
Indústria de Alimentos: Foi a campeã de contratações, com saldo de +412 vagas.
Serviços (Alojamento/Turismo): Com a volta dos turistas, o setor de hospedagem teve saldo de +126 vagas.
Agropecuária: Teve uma alta expressiva de 408,3% na variação de vagas, impulsionada pela safra.
Por outro lado, houve desaceleração no ritmo de contratações da Indústria Moveleira e da Construção Civil em comparação ao "boom" de reconstrução do ano anterior.
Como é tradicional, o mês de dezembro registrou queda (-817 vagas), devido aos desligamentos sazonais da indústria e serviços. A única exceção foi a Agropecuária, que contratou para a vindima.
Para janeiro de 2026, a projeção do OECON é otimista: espera-se uma alta entre 2,5% e 3%, podendo elevar o número de empregos formais para a casa dos 51,3 mil.
Além das carteiras assinadas, o empreendedorismo individual explodiu. Bento fechou o ano com 13.587 Microempreendedores Individuais (MEIs), um crescimento de 3,8%. Mais da metade desses empreendedores (56,1%) atua no setor de Serviços, mostrando a força dos pequenos negócios na economia da cidade.