
O debate sobre a nova sede da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves ganhou um novo e explosivo capítulo. Após o atual presidente, Anderson Zanella (PP), criticar a gestão anterior e cancelar uma coletiva de imprensa sobre os aditivos milionários da obra, o ex-presidente da Casa, vereador Rafael Pasqualotto, usou as redes sociais para rebater as acusações e expor o que chama de "incoerência" da atual gestão.
Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Pasqualotto não poupou críticas à postura de Zanella e apresentou sua versão sobre os custos e prazos do projeto.
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O ponto central da defesa de Pasqualotto é o valor. Segundo o ex-presidente, o projeto original foi planejado para custar R$ 18 milhões e deveria ter sido concluído ainda em 2024. A ideia, afirma Pasqualotto, era usar o atual mobiliário da Câmara, garantindo uma significativa redução de custos. "Porque o presidente Zanella não explica para a comunidade que os mais de R$ 5 milhões em projeto luminotécnico, ajardinamento, isolamento acústico, compra de todo o mobiliário e muito mais, são gastos criados em sua gestão? Nada disso tinha no projeto original. Ele é o gestor de tudo, tem o poder da caneta e decidiu ampliar os gastos com a obra que ele diz que não queria", enfatizou Pasqualotto.
Ele explica que o atraso — e o consequente encarecimento — não foi culpa da gestão da obra, mas de uma manobra política do Executivo. "O então prefeito Diogo Siqueira, numa estratégia política, não enviou o duodécimo (repasse financeiro obrigatório) que a Câmara tinha direito naquele ano. Com isso, não houve recurso para continuidade da obra mas, mesmo assim, entregamos na gestão a obra 60% concluída com toda a estrutura física pronta, faltando a parte interna", afirmou Pasqualotto.
O vereador detalhou que a briga foi parar nos tribunais: "Discutimos na Justiça, ganhamos na primeira instância, mas parou no Tribunal de Justiça e até hoje a questão não foi julgada".
Pasqualotto foi duro ao relembrar o posicionamento de Anderson Zanella antes de assumir a presidência da Casa do Povo. Segundo ele, o atual gestor era um crítico ferrenho da construção.
"Veja como são as coisas: assim que ele assumiu (a presidência), mudou o discurso. Ele dizia que a prioridade deveria ser a conclusão do Hospital do Trabalhador, ou investimento na Saúde e Educação. Agora, está colocando vários milhões a mais naquela obra, que ele mesmo chama de elefante branco", disparou Pasqualotto.
O ex-vereador lembrou ainda que Zanella, como gestor da obra, poderia ter cancelado o projeto. "Ele poderia ter feito uma grande e confortável escola, como disse durante a campanha eleitoral o prefeito Diogo Siqueira. Além disso, suspendeu as obras por 90 dias em 2025 e porque não cancelou? Não investiu na conclusão do hospital? Poderia fazer dois hospitais com o dinheiro que está sendo investido lá agora".
Ao final do desabafo, Pasqualotto mandou um recado direto ao colega de parlamento, sugerindo que Zanella assuma a responsabilidade em vez de terceirizar culpas.
"O presidente Zanella precisa parar de olhar para o passado para justificar a incompetência de sua gestão com o dinheiro público. O bom líder é aquele que olha pra frente e resolve os problemas, sem ficar buscando culpados. Tu tem o poder da caneta, Zanella, é o gestor da obra. Faça mais, com menos", concluiu.
A manifestação coloca mais pressão sobre a Mesa Diretora, que ainda não explicou publicamente os motivos técnicos para a elevação do custo total para a casa dos R$ 30 milhões.