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Comitiva da Serra Gaúcha conhece sistema antigranizo de Santa Catarina

Governo do Estado estuda adotar tecnologia para reduzir perdas causadas por granizo na vitivinicultura.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
23/01/2026 às 08h51
Comitiva da Serra Gaúcha conhece sistema antigranizo de Santa Catarina

Uma comitiva do Rio Grande do Sul realizou, nesta semana, uma visita técnica a Santa Catarina para conhecer de perto a operação do sistema antigranizo adotado no Estado vizinho desde 1989. A iniciativa foi liderada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e ocorre em meio ao debate sobre a possível implantação de um modelo semelhante na Serra Gaúcha, com foco na proteção da vitivinicultura.

A missão ocorreu na quarta-feira (21) e na quinta-feira (22) e incluiu agendas nos municípios catarinenses de Fraiburgo, Videira e Caçador, referências no uso do sistema voltado à proteção da fruticultura, especialmente na produção de maçã.

A principal justificativa está na crescente pressão por medidas que reduzam o impacto de eventos climáticos extremos. O granizo, de ocorrência recorrente e de alto potencial destrutivo, é apontado como um dos fenômenos que mais trazem prejuízos ao campo gaúcho — tanto para produtores quanto para a cadeia industrial ligada ao vinho.

Serra Gaúcha pressiona por tecnologia de mitigação

Produtores rurais pressionam o governo do estado pela implantação do sistema de forma imediata

 

Segundo o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, a missão foi motivada por uma demanda do setor vitivinícola da Serra Gaúcha, que vem discutindo alternativas para minimizar perdas causadas pelas tempestades.

“O granizo é certamente um dos problemas que traz muito prejuízo ao setor produtivo e à sociedade. Aqui em Santa Catarina pudemos realizar uma imersão e conhecer com profundidade técnica como funciona e como o sistema é usado para mitigar os efeitos do granizo”, afirmou Madalena.

A comitiva contou com representantes de 22 municípios da Serra Gaúcha e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil, de sindicatos rurais e de seguradoras, setores diretamente impactados pela instabilidade climática.

O secretário adjunto afirmou que o Estado agora avança na discussão sobre modelos de implementação e possíveis arranjos institucionais.

“Podemos avançar nas discussões de modelos, seja com convênios, seja com parcerias com o setor privado. Voltamos ao RS com maturidade para discutir a aplicação dessa tecnologia”, disse.

Consevitis aponta uso do fundo da vitivinicultura como alternativa

Entre as possibilidades em análise está o uso de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura, operacionalizado por meio do Consevitis-RS.

O presidente da entidade, Luciano Rebellatto, afirmou que o sistema é visto como investimento estratégico.

“Contribui para a segurança econômica do produtor, reduz perdas provocadas por eventos climáticos extremos e fortalece a permanência do viticultor na atividade. Também traz previsibilidade para a indústria, favorecendo planejamento e competitividade”, avaliou.

Na prática, a discussão do sistema antigranizo se conecta a uma pauta central do setor: previsibilidade de produção e redução de risco, especialmente após safras impactadas por fenômenos climáticos severos em diferentes pontos do Estado.

Como funciona o sistema antigranizo de Santa Catarina

O modelo catarinense, apresentado aos gaúchos, inclui uma rede de geradores de solo que queimam iodeto de prata, substância que atua na atmosfera e reduz o tamanho das pedras de gelo, mitigando o impacto do granizo nas lavouras.

Atualmente, Santa Catarina opera cerca de 170 geradores espalhados pelo Estado.

O assessor técnico da Secretaria da Agricultura e Pecuária catarinense, Paulo Arruda, acompanhou a comitiva e afirmou que o investimento estadual chega a R$ 22 milhões, atendendo aproximadamente 18 municípios e com possibilidade de expansão.

“É um sistema eficiente e mais uma tecnologia que contribui para diminuir prejuízos do granizo na agricultura e agropecuária”, disse Arruda.

Roteiro teve visitas em Fraiburgo, Videira e Caçador

A agenda da missão incluiu:

  • Fraiburgo: visita a geradores e explicação do monitoramento climático, com recepção do meteorologista João Rolim, da empresa AGF, responsável pela operação e acompanhamento do sistema no Estado;

  • visita à empresa Fischer, ligada à fruticultura, que utiliza o sistema para reduzir danos na produção de maçãs;

  • Videira: visita à Epagri, onde a comitiva conheceu estações de pesquisa e trabalhos voltados à vitivinicultura;

  • Caçador: reunião na prefeitura para conhecer a estrutura administrativa, jurídica e econômica do projeto que opera no município, com recepção do prefeito Alencar Mendes.

Participação de 22 municípios e Defesa Civil

Além da equipe técnica da Seapi, integraram a missão:

  • Ricardo Felicetti, diretor do Departamento de Defesa Vegetal

  • Carolina Scapin, diretora de Finanças e Execução Orçamentária

  • Flávio Varone, meteorologista e coordenador do Simagro-RS

  • Capitã Bárbara Dilly e Sargento Marcelo Wais, da Defesa Civil

Representaram o RS os municípios de:
Alto Feliz, Antônio Prado, Bento Gonçalves, Campestre da Serra, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Ipê, Monte Belo do Sul, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, Pinto Bandeira, Santa Teresa, São Marcos, Vale Real, São Francisco de Paula, Coronel Pilar, Vespasiano Corrêa, Guaporé e Dois Lajeados.

Próximos passos

Com o retorno da missão, o governo gaúcho deve aprofundar os estudos sobre custo, viabilidade, modelos legais e impacto esperado de um sistema antigranizo no RS — discussão que tende a crescer, especialmente com a proximidade das safras e a instabilidade climática.

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