
Durante a campanha eleitoral de 2024, as promessas de um ponto do Bairro Universitário mais moderno e com áreas de lazer abundantes pareceram convencer os moradores. No entanto, com o passar dos meses, o cenário na rua Olímpio Valduga é apenas de desolação e descaso. O que deveria ser uma praça com quadra reformada e iluminação de qualidade tornou-se, na prática, um retrato do esquecimento administrativo.
O principal ponto de indignação é a estrutura existente, que está abandonada. Uma academia ao ar livre, que deveria promover saúde, hoje está cercada pelo mato. A quadra de areia, local de encontro da comunidade, pede socorro por reformas que nunca chegaram a estar nem no papel, apenas na propaganda eleitoral.
Para a moradora do Bairro Universitário, Analice Pasini da Silva, a situação é de total insegurança. "A nossa academia ao ar livre está jogada às traças. Não tem iluminação, à noite fica um breu e a gente não tem onde levar os filhos. Prometeram na eleição que tudo isso iria mudar, mas a gente continua no escuro", reclama.
A sensação de exclusão é reforçada por João Carlos Santos de Almeida, que aponta para a falta de retorno dos impostos pagos. "O Bairro Universitário parece que foi apagado do mapa de Bento Gonçalves. A gente paga tudo em dia, mas a quadra de areia está um lixo. Ninguém faz uma manutenção, ninguém aparece aqui para cumprir o que disseram que fariam", aponta Almeida.
Outra ferida aberta na comunidade é o terreno cedido em regime de comodato pela Prefeitura à associação de motoristas de vans. Originalmente, a área foi doada como área verde para o lazer dos moradores quando o loteamento foi criado. Porém, a tentativa da construção de uma sede para entidade citada foi alvo constante de denúncias por algazarra e perturbação do sossego.
Também morador do local, Paulo Cesar Herman da Silva é enfático ao denunciar o que chama de injustiça com o bairro. "É um escândalo. Aquele terreno é do povo, era para ser uma praça para as crianças pequenas, conforme o Diogo Siqueira e o Amarildo Lucatelli prometeram. Em vez disso, deram para uma associação que só trouxe bagunça e barulho. O local está lá, cercado, enquanto nossos filhos não têm um balanço para brincar", critica Silva.
A queixa geral é que o Bairro Universitário é um dos poucos bairros de Bento Gonçalves que não recebeu investimentos significativos nos últimos anos. Enquanto outras regiões da cidade ganham asfalto e novos parques, o morador do Universitário convive com a academia "fantasma" e promessas de campanha que parecem ter tido validade apenas até o dia da votação.
O desempenho do Poder Público no Bairro Universitário é o exemplo clássico de como a política de conveniência atropela o bem-estar social. É inaceitável que uma gestão que se promove pela "eficiência" permita que áreas verdes doadas pela comunidade sejam desviadas de sua finalidade original para beneficiar grupos específicos, enquanto as famílias ficam sem opção de lazer.
O silêncio da Prefeitura de Bento Gonçalves diante da quadra aos pedaços e da escuridão na rua Olímpio Valduga não é apenas falta de verba, é falta de respeito com o cidadão que acreditou no aperto de mão dado no palanque. No Universitário, a única coisa que funciona a pleno vapor é a paciência do contribuinte, que já começou a esgotar.