
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) anunciou, por meio de nota oficial, que irá acompanhar o caso da demissão do médico pediatra Norberto Foster, em Bento Gonçalves, ocorrida no dia 17 de dezembro de 2025. Segundo relatos de familiares atendidos pelo profissional, o desligamento teria ocorrido a pedido da Secretaria Municipal de Saúde, sem uma justificativa considerada plausível.
A situação gerou forte mobilização popular e expôs um cenário de insatisfação com a condução da rede pública. Desde a demissão, centenas de famílias afirmam estar enfrentando falta de atendimento pediátrico, o que aumentou a pressão sobre o Executivo municipal e elevou o tom das cobranças por respostas.
A revolta levou moradores a organizarem um abaixo-assinado exigindo explicações por parte da Prefeitura de Bento Gonçalves e pedindo o retorno do pediatra. O documento, conforme informações de moradores, já supera 700 assinaturas e foi encaminhado ao Ministério Público, com denúncias de possível negligência do Executivo Municipal com a Saúde. CLIQUE AQUI para assinar o abaixo-assinado.
A preocupação é maior em grupos específicos, como mães que estão dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que necessitam de acompanhamento e suporte especializado para lidar com rotinas de cuidado e atendimento infantil. Segundo famílias, esse público estaria, novamente, sendo deixado sem assistência adequada. Um exemplo ocorre com uma mãe de criança autista, que já teve marcada pela segunda vez consulta com pediatra na Unidade Básica de Saúde Central e não há profissional para atender seu filho na data marcada no agendamento.
Na nota oficial, o Simers afirma que, mesmo o pediatra sendo contratado por meio da empresa terceirizada Medsaúde, o afastamento teria ocorrido por um ofício da prefeitura, que classificou a decisão como parte de uma suposta “rotatividade natural”.
Para o Sindicato, no entanto, o caso merece atenção. A entidade destaca que a comoção gerada entre pais e mães é um indicativo relevante, já que a atuação de um pediatra envolve um momento decisivo do desenvolvimento infantil e depende diretamente da confiança construída entre profissional, crianças e responsáveis.
“A comoção das famílias é um indicador que merece extrema atenção, pois o médico pediatra participa de um momento importante da saúde e do desenvolvimento da criança e do adolescente”, diz o Simers.
Além disso, o Sindicato afirma que chamou atenção o relato de uma possível alta rotatividade de médicos na rede municipal de Bento Gonçalves, o que será apurado pela entidade, inclusive como forma de atuação contra possíveis situações de desassistência.
“O Simers ficará atento à defesa dos profissionais e da comunidade que busca referências médicas para os cuidados com a saúde”, conclui o Sindicato.
O caso segue gerando repercussão na cidade e provoca questionamentos sobre a estrutura de atendimento pediátrico na rede municipal. Moradores cobram esclarecimentos do Executivo sobre quais foram os critérios utilizados para solicitar o desligamento do médico e quais medidas foram adotadas para garantir atendimento às crianças desde então.
Com a manifestação pública do Simers, o episódio ganha novo peso institucional e pode ampliar a pressão sobre a gestão municipal, especialmente diante do encaminhamento do abaixo-assinado ao Ministério Público e do aumento das denúncias de falta de atendimento em um setor considerado essencial.