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Morre Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia brasileira

Autor tinha 92 anos e estava internado em um hospital e enfrentava complicações relacionadas à doença de Parkinson.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
10/01/2026 às 21h06
Morre Manoel Carlos, autor de clássicos da teledramaturgia brasileira

Morreu neste sábado (10), aos 92 anos, o novelista Manoel Carlos, um dos nomes mais influentes da história da televisão brasileira. Conhecido popularmente como “Maneco”, o autor marcou gerações com tramas centradas nas relações familiares, nos dilemas morais e no cotidiano da classe média urbana — especialmente do Rio de Janeiro, cenário constante de suas novelas.

A causa da morte não foi detalhada publicamente, mas veículos apontam que ele enfrentava complicações relacionadas à doença de Parkinson.

O cronista do Leblon e das emoções do Brasil

Manoel Carlos se tornou uma espécie de “cronista” das emoções brasileiras ao transportar para a TV o drama cotidiano de famílias, casais e amigos, geralmente inseridos em um universo de privilégios, mas também atravessados por crises afetivas profundas.

Seu estilo ficou reconhecido por diálogos longos, densos, íntimos e realistas, com forte apelo emocional. Nas tramas, temas como maternidade, amor, traição, juventude, desigualdade social e doenças graves passaram a ser tratados com naturalidade — algo que contribuiu para elevar o papel social da telenovela no país.

A “Helena”: a personagem que virou assinatura

Uma das maiores marcas do autor foi o uso recorrente de uma protagonista chamada Helena — nome que virou praticamente uma assinatura artística.

Em diferentes versões, Helena representou mulheres fortes, sensíveis e contraditórias: mães, amantes, profissionais, figuras centrais em enredos que misturavam romance e tensão familiar. O próprio autor explicou que a inspiração veio do simbolismo da personagem histórica e mitológica Helena de Troia.

Principais sucessos: novelas que viraram memória afetiva do país

Com uma carreira marcada por obras consagradas, Manoel Carlos assinou alguns dos maiores sucessos do horário nobre e também produções que se tornaram referência cultural.

Entre os títulos mais lembrados estão:

“Por Amor” (1997–1998)

Considerada uma de suas novelas mais icônicas, trouxe um dos momentos mais comentados da teledramaturgia: o sacrifício de uma mãe pela filha — núcleo que virou símbolo da intensidade das obras de Maneco.

“Laços de Família” (2000)

Novela de enorme repercussão, ficou marcada pelo drama de Camila, personagem que enfrentava leucemia e mobilizou o Brasil com cenas emocionantes — incluindo o ato simbólico de raspar a cabeça, que gerou comoção nacional.

“Mulheres Apaixonadas” (2003)

Outro fenômeno popular, reuniu diferentes núcleos e debates sociais, como violência doméstica, preconceito e conflitos geracionais.

“Páginas da Vida” (2006)

A obra reforçou o estilo do autor, ao tratar de abandono, maternidade e intolerância, com narrativa marcada por reflexões e cenas cotidianas de forte apelo humano.

“Viver a Vida” (2009)

Foi marcada por um momento histórico: a escolha de Taís Araújo como a primeira Helena negra do autor, marco simbólico para a televisão brasileira.

Um autor que moldou o jeito brasileiro de fazer novela

Mais do que um roteirista, Manoel Carlos se firmou como um autor que moldou o modo como o Brasil passou a entender e consumir novela: como entretenimento, mas também como espelho social.

Nas últimas décadas, suas novelas ganharam força justamente por unir duas dimensões que raramente caminham juntas com equilíbrio:

  • o romance “popular”, de ampla audiência;
  • e um conteúdo sofisticado, de conversa íntima, reflexão e crítica social.

Esse equilíbrio fez dele um dos principais pilares da dramaturgia nacional.

Legado: Maneco permanece como referência da TV brasileira

A morte do autor deixa um vazio na dramaturgia, mas também reforça a permanência de suas obras, reprisadas diversas vezes e ainda lembradas por bordões, personagens e cenas que entraram para o imaginário popular.

Manoel Carlos se despede como um dos grandes arquitetos da telenovela brasileira — o escritor que transformou a sala de estar do país em um espaço de conversa sobre amor, culpa, perdão e família.

 

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