
A busca pelo maior prêmio da história da Mega da Virada levou apostadores a estratégias cada vez mais ousadas em todo o país. Entre elas, bolões que somaram centenas de milhares de reais e milhares de combinações de números, numa tentativa de driblar as probabilidades extremamente baixas da loteria mais popular do Brasil.
Em Passo Fundo, na Região Norte do Rio Grande do Sul, um desses casos chamou atenção. Um grupo de apostadores investiu mais de R$ 500 mil em jogos para o sorteio que distribuiu mais de R$ 1 bilhão. Apesar de não acertarem as seis dezenas do prêmio principal, o esforço não foi totalmente em vão: em uma das apostas, o grupo acertou a quina, e em diversas outras, garantiu quadras, segundo a organizadora do bolão.
O grupo organizou três bolões distintos, sendo um deles avaliado em cerca de R$ 300 mil, com mais de 4 mil combinações registradas. As cotas variavam de R$ 18 a R$ 3.600, permitindo a participação de pessoas com diferentes perfis financeiros. Até o momento, os apostadores não informaram se o valor arrecadado com os prêmios será suficiente para cobrir o investimento feito nas apostas.
Confiança e matemática
A advogada Patrícia Alosivi, uma das participantes do bolão, relata que a estratégia foi pensada para, ao menos, garantir prêmios intermediários.
“É 99% certo que a gente ganha uma quadra. E partindo de um acerto de quadra, só faltam dois números para a gente conseguir ganhar a Mega. Essa é a nossa grande jogada”, explicou.
Apesar da confiança, os números mostram o tamanho do desafio. A chance de acertar as seis dezenas em uma aposta simples é de uma em 50 milhões. Para o professor Fernando Sabino, de Estatística e Economia da UFRGS, a lógica dos bolões faz sentido do ponto de vista matemático, embora não elimine o caráter aleatório do jogo.
“O bolão é uma forma inteligente de participar, porque aumenta a chance de acerto e dilui o custo entre várias pessoas”, afirma. Ainda assim, ele reforça que não existe fórmula mágica. “Datas de aniversário, sequências ou números da sorte não ajudam. Todas as combinações têm exatamente a mesma chance.”
Entre sonho e entretenimento
O professor também faz um alerta importante:
“As chances aumentam, mas continuam pequenas. A loteria não é investimento, é entretenimento. As pessoas precisam jogar o que cabe no bolso.”
E não foram apenas apostadores experientes que se animaram com o prêmio recorde. O valor bilionário despertou também o chamado “medo de ficar de fora”. A jornalista Daniele Brito, de Porto Alegre, entrou pela primeira vez em um bolão com colegas de trabalho.
“Eu nem costumo apostar, mas pensei: vai que os colegas ganham e eu sou a única que fica de fora”, brinca.
Mais números, mais chances — e mais custo
Para ampliar as probabilidades, alguns grupos optaram por apostas com um número maior de dezenas. Em um bolão formado por vizinhos, a escolha foi jogar com 12 números, o que eleva a chance de acerto para cerca de uma em 54 mil — ainda pequena, mas muito superior à aposta simples.
O gerente comercial Alex Pereira explica que o bolão torna esse tipo de estratégia viável. “Um jogo de 12 dezenas custa em torno de R$ 5,5 mil. Para um apostador sozinho, é inviável. Dividindo entre 30 pessoas, como no nosso caso, aumenta a chance e torna possível jogar.”
Os valores das apostas crescem rapidamente conforme o número de dezenas escolhidas:
6 números: R$ 6
7 números: R$ 42
20 números: até R$ 232 mil
Mesmo com investimentos elevados e milhares de combinações, a Mega da Virada segue reafirmando seu caráter imprevisível. Para muitos, o prêmio não veio, mas a experiência reforçou que, na loteria, a matemática ajuda — mas a sorte continua sendo a grande protagonista.