
Bento Gonçalves encerrou 2025 com uma redução significativa no número de assassinatos, consolidando um avanço importante na área da segurança pública. De acordo com levantamento oficial, o município registrou 28 crimes violentos contra a vida em 2025, contra 38 em 2024, o que representa uma queda de 26,3% no número de homicídios em apenas um ano.
A redução é atribuída, principalmente, ao trabalho integrado entre Brigada Militar, Polícia Civil, Ministério Público, Judiciário, Guarda Civil Municipal e forças federais, além de ações de inteligência, repressão qualificada ao crime organizado e maior presença policial em áreas sensíveis da cidade.
Apesar do resultado positivo no comparativo geral, os dados também revelam pontos críticos que seguem preocupando as autoridades, especialmente os casos de feminicídio, que continuam marcando a estatística criminal da Capital do Vinho.
MORTOS EM BENTO GONÇALVES NO ANO DE 2025
JANEIRO – 4 mortes
2 - Júlio Cezar Silveira Oliveira, de 41 anos, Bairro Maria Goretti
4 - Bruno de Oliveira, de 34 anos, Bairro Progresso
5 - Leonardo de Souza Garcia, de 26 anos, Bairro Ouro Verde
29 - Doralício da Silva Nunes, de 67 anos, Bairro Jardim Glória
FEVEREIRO – 2 mortes
9 – Luis Fernando Tunes Andrade, de 36 anos, Bairro Ouro Verde
25 - Carlos Roberto Rodrigues, de 62 anos, Bairro Juventude
MARÇO – 3 mortes
7 - Sandra Letícia de Carli, de 46 anos, Bairro Vinosul
17 - Kauana Larissa Padilha Pinto, de 19 anos, Bairro Zatt
29 - Érica Garcês de Oliveira, de 31 anos, Bairro Juventude da Enologia
ABRIL – 1 morte
18 - Jane Cristina Montiel Gobatto, de 54 anos, Bairro Santa Rita
MAIO – 1 morte
3 – Paulo Roberto Duarte, Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves, Barracão
JUNHO – 2 mortes
15 - Reginaldo Cassiano da Costa Junior, de 44 anos, Bairro Ouro Verde
21 – Anderson Ribeiro, de 31 anos, Bairro Municipal
JULHO – 2 mortes
27 – Damião Bezerra dos Santos, 47 anos, Bairro Universitário
29 – Leonardo Felipe Reis da Silva, 26 anos, Bairro Ouro Verde
AGOSTO – 5 mortes
6 – Matheus Ferreira Martins, de 16 anos, Bairro Zatt
11 - Rodrigo e Silva Carvalho, de 26 anos, Bairro Municipal
17 – Evanilson Lima Ferreira, 36 anos, Santa Marta
25 – Vinicius Cabeleira, 21 anos, Eucaliptos
26 – Antônio Adriano Vieira, 36 anos, São João
SETEMBRO – 4 mortes
25 - Mateus Mikoloicezok, 48 anos, Bairro Maria Goretti
28 - Eduardo Menezes dos Santos, de 17 anos – Bairro Vila Nova
Pedro Henrique Cortes Malfatti, de 19 anos – Bairro Vila Nova
Alexsandro Morais Teodoro, de 21 anos – Bairro Vila Nova
OUTUBRO – Nenhuma morte
NOVEMBRO – 3 mortes
6 - Deynis Del Jesus Hernandez Valdez, de 15 anos - Bairro Jardim Glória
16 - Jonatan Felipe Ferrão, 38 anos – Bairro Municipal
16 - Maicon Luiz Salvador da Costa, 25 anos – Bairro Conceição
DEZEMBRO - 1 morte
27 - Gustavo SAbino, 44 anos - Bairro Juventude da Enologia
A análise dos dados de 2025 mostra que alguns bairros concentraram maior número de homicídios:
Bairro Ouro Verde – 5 mortes
Bairro Municipal – 4 mortes
Bairro Vila Nova – 4 mortes (três em um único dia)
Bairro Juventude da Enologia – 2 mortes
Bairro Maria Goretti – 2 mortes
O Ouro Verde aparece como o bairro mais violento do ano, concentrando quase 18% dos assassinatos registrados em 2025, seguido pelo Bairro Municipal e Vila Nova, que também figuram historicamente entre as áreas de maior vulnerabilidade social.
O comportamento da criminalidade ao longo do ano foi irregular, com picos bem definidos:
Agosto – 5 assassinatos (mês mais violento do ano)
Janeiro – 4 assassinatos
Setembro – 4 assassinatos
Março – 3 assassinatos
Novembro – 3 assassinatos
Chama atenção o fato de outubro não ter registrado nenhum homicídio, um dado considerado atípico e visto internamente pelas forças de segurança como reflexo direto das operações preventivas e repressivas realizadas naquele período.
O levantamento também permite traçar o perfil etário das vítimas em 2025:
Idade média das vítimas: aproximadamente 34 anos
Vítima mais jovem: 15 anos (registrada em novembro, no bairro Jardim Glória)
Vítima mais velha: 67 anos (registrada em janeiro, no bairro Jardim Glória)
Os dados reforçam que a violência letal atinge majoritariamente jovens e adultos em idade produtiva, aprofundando impactos sociais, familiares e econômicos para a cidade.
Mesmo com a redução no número total de assassinatos, a violência contra a mulher segue como um dos principais desafios de segurança pública em Bento Gonçalves. Em 2025, duas mulheres foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros, caracterizando feminicídios.
Os crimes ocorreram nos bairros:
Juventude da Enologia
Santa Rita
Os casos reforçam que, embora o enfrentamento ao crime organizado e aos homicídios relacionados ao tráfico tenha avançado, a violência doméstica e de gênero ainda exige políticas mais firmes, prevenção contínua e respostas rápidas do Estado.
Autoridades de segurança avaliam que a redução de 26,3% nos assassinatos é resultado direto de:
Operações integradas entre polícias
Prisões estratégicas de lideranças criminosas
Uso de inteligência e monitoramento
Respostas rápidas a conflitos localizados
Presença ostensiva em áreas críticas
No entanto, o cenário também reforça que nenhum avanço é definitivo. A dinâmica da criminalidade exige atenção permanente, sobretudo em bairros com histórico de violência e no enfrentamento aos crimes contra mulheres.
A queda nos homicídios em 2025 representa uma vitória institucional e coletiva, mas também um alerta: a segurança pública é um processo contínuo. Para 2026, o desafio de Bento Gonçalves será manter a tendência de redução, aprofundar ações preventivas e enfrentar com mais rigor a violência doméstica, para que a estatística não esconda tragédias silenciosas dentro dos lares.
Bento mostrou que é possível reduzir a violência. Agora, o desafio é não recuar.