Segunda, 09 de Março de 2026
Publicidade

Funcionária mobiliza colegas e transforma setor no Tacchini Saúde

Vitória Caroline Gomes, de 26 anos, que é surda, apresentou a Língua Brasileira de Sinais (Libras) a seus colegas na empresa.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
27/11/2025 às 07h11 Atualizada em 28/11/2025 às 10h48
Funcionária mobiliza colegas e transforma setor no Tacchini Saúde

A entrada de Vitória Caroline Gomes, de 26 anos, no setor de Faturamento do Tacchini Saúde, provocou uma mudança rara — e significativa — na rotina da equipe. Surda, Vitória não apenas assumiu suas funções administrativas, mas inaugurou um movimento interno de valorização da Língua Brasileira de Sinais (Libras), que rapidamente se tornou parte da cultura do setor.

O processo de integração foi planejado de forma gradual e com foco na acessibilidade. Ao mesmo tempo em que aprendia as atribuições do cargo, Vitória passou a introduzir os colegas no universo da Libras. A iniciativa ganhou corpo com o apoio de Luis Filipe Borges Poletto, colega de equipe e filho de pais surdos, que se tornou o elo essencial entre os funcionários e a nova colega.

Duas vezes por semana, por cerca de 30 minutos, a equipe inteira interrompe as atividades para acompanhar as aulas básicas de Libras, conduzidas por Vitória e Luis. O aprendizado é reforçado com o uso de aplicativos, materiais didáticos e livros, criando um ambiente que combina prática, acolhimento e interesse genuíno pela comunicação inclusiva.

Para a coordenadora do setor, Laura Jacques, a chegada de Vitória vai muito além da ocupação de uma vaga.

“A inclusão de Vitória não é apenas um gesto institucional; é a demonstração concreta de que somos um ambiente que valoriza diversidade, respeito e inclusão real”, afirma.
“O fato de a equipe dedicar tempo para aprender Libras mostra um compromisso autêntico. É uma jornada de aprendizado mútuo que nos torna profissionais e pessoas melhores — mais preparados e mais humanos”, completa.

O caso de Vitória se destaca por evidenciar um modelo de inclusão que ultrapassa protocolos formais. A mobilização espontânea dos colegas e a incorporação da Libras ao cotidiano ilustram um ambiente que transforma a diversidade em ferramenta de crescimento coletivo — e não apenas em discurso institucional.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários