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Vinícius Ribeiro: “O verdadeiro luxo do Vale dos Vinhedos está no simples”

Coordenador do projeto do Vale dos Vinhedos destaca que o desenvolvimento que muitos querem para a região não é o sustentável.

Redação
Por: Redação Fonte: Jonathan Zanotto/Especial NB
29/10/2025 às 07h50 Atualizada em 30/10/2025 às 10h56
Vinícius Ribeiro: “O verdadeiro luxo do Vale dos Vinhedos está no simples”

O Vale dos Vinhedos está diante de um dos momentos mais decisivos de sua história. Após mais de um ano de estudos, audiências e reuniões com representantes de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, foi apresentado o Plano de Gestão e Desenvolvimento da Paisagem do Vale dos Vinhedos (Plan-Vale) — um projeto que busca garantir o crescimento ordenado e sustentável de uma das regiões mais simbólicas da vitivinicultura brasileira.

O plano, coordenado pelo arquiteto Vinícius Ribeiro, da empresa GO Soluções em Projetos, foi entregue oficialmente aos prefeitos dos três municípios e agora depende da aprovação nas Câmaras de Vereadores. “O que entregamos não foi apenas um documento técnico, mas um pacto entre o território e o tempo, para que o Vale cresça sem perder sua alma”, afirmou Ribeiro, em entrevista ao NB Notícias.

A simplicidade como luxo

Com uma visão voltada à preservação da identidade e da paisagem local, o arquiteto enfatizou que o verdadeiro luxo do Vale dos Vinhedos está na simplicidade. “O Vale não precisa copiar ninguém. Não quer ser Gramado ou Canela. O Vale tem sua própria essência. O luxo está no silêncio da paisagem, no ritmo tranquilo da vida, na convivência entre vizinhos e na pureza do solo. Essa é a verdadeira riqueza desse território”, destacou.

Vinícius Ribeiro espera que as Câmaras dos três municípios mantenham o que foi feito - Foto: Arquivo Pessoal

 

A proposta do Plan-Vale é resultado de um extenso processo participativo, que envolveu agricultores, empresários do setor vitivinícola e turístico, representantes de entidades culturais e ambientais, jovens rurais e o Ministério Público. O objetivo foi construir um consenso sobre o que pode e o que não deve ser permitido no território.

“Os empreendimentos são bem-vindos, mas dentro de regras claras e coletivas. O plano autoriza atividades de moradia, cultivo, vitivinicultura, hospedagem de pequeno e médio porte e iniciativas culturais e turísticas que respeitem a paisagem e a comunidade local”, explicou o arquiteto.

Regras e sustentabilidade

 
 
 
 
 
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O documento define parâmetros técnicos rigorosos — como testada mínima dos terrenos, taxa de ocupação, permeabilidade do solo e número máximo de edificações por lote. A prioridade é proteger as áreas rurais e evitar construções de grande porte que possam descaracterizar o perfil do Vale.

“Atividades de grande porte só serão admitidas quando diretamente ligadas à vitivinicultura. O restante deve seguir o princípio do equilíbrio: gerar renda e desenvolvimento, mas sem romper com o que o Vale tem de mais valioso — sua identidade”, afirmou Ribeiro.

Um desafio político e coletivo

A elaboração do Plan-Vale mobilizou nove encontros qualitativos, três audiências públicas e dezenas de reuniões intermunicipais. Agora, o desafio é político: garantir que as três Câmaras Municipais aprovem o mesmo texto, preservando o caráter unificado do território.

“É um desafio aprovar um plano territorial em três municípios, mas acreditamos na sensibilidade dos vereadores e na capacidade de entender que o Plan-Vale é fruto de um trabalho técnico e afetivo. Ele nasce do encontro entre o conhecimento e o amor pelo território”, declarou.

A preservação das paisagens do Vale dos Vinhedos é o principal objetivo do projeto

 

Segundo Ribeiro, o projeto não é engessado e poderá evoluir conforme novas demandas surjam. “Se houver necessidade de ajustes no futuro, que sejam feitos coletivamente, sempre mantendo o espírito democrático e participativo que guiou a construção desse plano.”

Um pacto pelo futuro

O Plan-Vale surge após anos de disputas e debates sobre o zoneamento da região, que chegou a permitir construções verticais de até 31 metros de altura. A reação da comunidade e do Ministério Público motivou a criação de um estudo técnico capaz de propor regras mais equilibradas e permanentes.

“Modificá-lo é alterar a alma do Vale. O Plan-Vale não é uma barreira ao progresso — é um guia para garantir que o desenvolvimento aconteça sem que percamos aquilo que nos torna únicos”, concluiu Ribeiro.

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Kleber GhiggiHá 2 meses Bento GonçalvesNo Programa de Turismo Rural do SENAR que está acontecendo em Monte Belo do Sul, estamos vendo essa realidade. Propriedades pequenas que não eram conhecidas, hoje lucram muito, mostrando o que os turistas querem ver, ou seja, o dia a dia do trabalhador rural. O turista quer colher uva, dar pasto às vacas e tirar o leite, tocar as ovelhas e jogar milho aos porcos. Querem dormir em casarões centenários e se sentirem imigrantes italianos. E isso no vale tem de sobra.
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