
Bento Gonçalves tem 10.258 pacientes na fila de espera por cirurgias eletivas no SUS. O plano de trabalho aprovado pelo Conselho Municipal de Saúde prevê 2.200 procedimentos, o equivalente a 21% da fila. As cirurgias começam ainda neste mês de outubro.
Os números foram apresentados ao Conselho na terça-feira (29) e detalhados pela secretária municipal de Saúde, Daiane Piuco, durante a prestação de contas do segundo quadrimestre na Câmara de Vereadores.
Serão investidos R$ 5.566.605,19 nas cirurgias ao longo de 12 meses, com recursos que estavam parados no Fundo da Vigilância Sanitária.
A fila e o atendimento, especialidade por especialidade
| Especialidade | Na fila | Cirurgias previstas | Cobertura | Valor |
|---|---|---|---|---|
| Ortopedia | 4.432 | 700 | 16% | R$ 1.954.546,63 |
| Cirurgia geral | 1.762 | 500 | 28% | R$ 1.278.069,93 |
| Otorrinolaringologia | 1.555 | 700 | 45% | R$ 1.333.988,63 |
| Oftalmologia | 1.174 | 300 | 26% | R$ 1.000.000,00 |
| Outros procedimentos | 1.335 | — | — | — |
| Total | 10.258 | 2.200 | 21% | R$ 5.566.605,19 |
A ortopedia concentra a maior fila do município, com 4.432 pacientes, e terá 700 cirurgias, o menor percentual de cobertura entre as especialidades contempladas.
A otorrinolaringologia é a que mais avança proporcionalmente, com 45% da fila atendida. Segundo a secretária, a prioridade nessa área será para crianças.
Os 1.335 pacientes classificados como de outros procedimentos não aparecem na divisão das 2.200 cirurgias.
Depois da execução do plano, cerca de 8.058 pessoas seguirão na fila.
Exames para quem espera desde 2020
Além das cirurgias, R$ 1,8 milhão será destinado a exames como ressonância magnética, tomografia e ultrassonografia. São casos classificados como de brevidade baixa, de pacientes que aguardam um procedimento desde 2020.
Somados, cirurgias e exames chegam a R$ 7,36 milhões.
De onde vem o dinheiro
Os recursos estavam no Fundo da Vigilância Sanitária e só puderam ser remanejados depois que a Câmara aprovou, por unanimidade, em 4 de setembro, o projeto que alterou a Lei Municipal 2.797/1999. Até então, as receitas de taxas de fiscalização sanitária, multas e juros eram destinadas exclusivamente às ações de vigilância em saúde.
A própria lei exige plano de trabalho e aval do Conselho Municipal de Saúde para a aplicação, como forma de controle social.