Domingo, 27 de Setembro de 2026
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Fim do mundo: Matemáticos prevêem final para o dia 13 de novembro

Cientistas fizeram a previsão em 1960 em publicação da revista Science. Será que vai acontecer?

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
27/09/2026 às 10h20
Fim do mundo: Matemáticos prevêem final para o dia 13 de novembro
Heinz von Foerster causou grande polêmica com a previsão do “fim do mundo” - Foto: Reprodução/IA

Em novembro de 1960, a revista Science, uma das publicações científicas mais prestigiadas do mundo, estampou um artigo com um título que hoje soaria como manchete de site sensacionalista: "Doomsday: Friday, 13 November, A.D. 2026". Ou, em português, "Dia do Juízo Final: sexta-feira, 13 de novembro de 2026".

Os autores eram três: o físico austríaco Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot. A partir de dados populacionais de quase dois milênios, eles montaram uma equação que descrevia o crescimento da humanidade melhor do que as curvas exponenciais usadas até então. O problema é onde a conta chegava: mantida aquela trajetória, a população mundial se aproximaria do infinito numa data específica — 13 de novembro de 2026.

E sim, é uma sexta-feira 13. Faltam pouco mais de seis semanas. Antes que alguém cancele os planos de dezembro, convém contar o resto da história.

A piada que ninguém percebeu

Heinz von Foerster nasceu em Viena em 13 de novembro de 1911. Ou seja: a data que ele apontou como o fim da humanidade seria exatamente o seu 115º aniversário.

A coincidência não foi coincidência. O tom do artigo era declaradamente brincalhão — o que em inglês se chama tongue-in-cheek — e a escolha da data tinha dedo de humor pessoal. Von Foerster não era um profeta do apocalipse: era um dos nomes mais respeitados da cibernética, doutor em física, fundador do Biological Computer Laboratory na Universidade de Illinois e participante das célebres conferências Macy, que ajudaram a fundar o pensamento sistêmico moderno. Morreu em 2002, aos 90 anos.

A frase dele que mais circulou na época dá a medida do espírito da coisa. Segundo relato do jornal português Observador, von Foerster afirmou que "os nossos trisnetos não vão passar fome — eles vão ser apertados até à morte". A brincadeira era sobre falta de espaço, não sobre fome.

Nem todos acharam graça. O professor Marvin Shinbrot, de Stanford, respondeu que, se o artigo tivesse algum efeito, seria apenas sobre "tolos".

O medo que fazia sentido em 1960

Para entender por que uma revista séria publicaria aquilo, é preciso lembrar o clima da época. Os anos 1960 foram o auge do pânico com a explosão demográfica. A teoria de Thomas Malthus — população crescendo em progressão geométrica e comida em progressão aritmética — era discutida em todos os lugares. O mundo tinha cerca de 3 bilhões de habitantes e a conta parecia não fechar.

E aconteceu exatamente o contrário

A humanidade não se multiplicou ao infinito. Fez o oposto: começou a desacelerar.

Duas coisas que a equação não previa entraram em cena. A tecnologia agrícola avançou muito além do imaginado, e as taxas de fecundidade caíram no mundo inteiro — inclusive no Brasil, onde a média de filhos por mulher hoje está abaixo do nível de reposição.

Os números atuais desmontam a curva. A população mundial passou de 8 bilhões em 2023, e as projeções da ONU indicam que o crescimento deve continuar desacelerando até atingir um pico de cerca de 10,3 bilhões de pessoas em meados da década de 2080 — para depois começar a cair. Em vez de um planeta apertado até a morte, o debate demográfico de hoje gira em torno de envelhecimento populacional e escassez de mão de obra.

A próxima data já está marcada — e o autor é ainda mais famoso

Quem gosta de colecionar previsões de fim do mundo pode anotar 2060. A data foi calculada por ninguém menos que Isaac Newton, o pai da lei da gravidade.

Newton dedicou boa parte da vida a estudar as escrituras e tentou decifrar o que considerava códigos matemáticos na Bíblia. Partindo do Livro de Daniel, interpretou a expressão "um tempo, tempos e metade de um tempo" como 1.260 anos e somou esse período ao ano 800, quando via o início da corrupção da Igreja. O resultado: 2060. Seus manuscritos sobre o tema estão hoje na Universidade Hebraica de Jerusalém.

Até lá, 13 de novembro deste ano deve passar como qualquer outra sexta-feira 13 — com a diferença de que, em algum lugar, a matemática de um cientista brincalhão completaria 115 anos de vida.