
Quatro pessoas foram presas preventivamente na manhã desta sexta-feira (25) durante uma investigação sobre um esquema que teria utilizado documentos falsos para negociar imóveis de proprietários já falecidos no Vale do Sinos. Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado movimentou mais de R$ 2 milhões.
As prisões ocorreram em Estância Velha, Novo Hamburgo e Porto Alegre. Dois dos presos são apontados pela investigação como lideranças do esquema. Em Estância Velha, um homem de 39 anos foi localizado em um sítio a poucos quilômetros da região central do município. A companheira dele também foi presa por ordem judicial.
No local, agentes da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo apreenderam uma grande quantidade de pastas e documentos, que agora deverá ser analisada durante a continuidade da investigação. O imóvel também possuía câmeras de monitoramento.
Outra prisão ocorreu em Porto Alegre. Na capital, os policiais apreenderam documentos e uma carteira falsificada de oficial de Justiça. O homem preso no local tem 55 anos e também é apontado pela Polícia Civil como uma das lideranças do grupo investigado.
De acordo com o delegado Tarcísio Kaltbach, titular da 1ª DP de Novo Hamburgo e responsável pela investigação, o esquema utilizava documentos falsificados e simulava acesso a informações privilegiadas do Poder Judiciário para dar credibilidade às negociações.
A investigação aponta que os integrantes desempenhavam diferentes funções. Um dos presos em Estância Velha, por exemplo, se apresentaria como intermediador de negócios imobiliários. Outros integrantes chegariam a realizar a limpeza dos imóveis antes das visitas de potenciais compradores.
A Polícia Civil estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 2 milhões. Em um dos casos investigados, uma empresária de Novo Hamburgo teria perdido aproximadamente R$ 1,2 milhão em uma falsa negociação imobiliária.
Até mesmo um imóvel pertencente a um padre teria sido utilizado pelo grupo em uma negociação fraudulenta, conforme a investigação. Em outro episódio apurado pela polícia, um terreno localizado na Rua Rincão, em Novo Hamburgo, teria sido vendido sem autorização da família dos proprietários, que já haviam morrido.
A 1ª DP de Novo Hamburgo continua a investigação para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer como os suspeitos localizavam os imóveis utilizados nas negociações e de que forma conseguiam produzir a documentação falsa, inclusive documentos atribuídos a cartórios.
Os quatro presos permanecem investigados. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.