Segunda, 09 de Fevereiro de 2026
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Caso Eleci: Promotoria recorre para anular júri que desclassificou feminicídio

Ministério Público sustenta que a decisão dos jurados de condenar o réu apenas por “lesão corporal seguida de morte” contraria as provas do processo.

Marcelo Dargelio
Por: Marcelo Dargelio
09/02/2026 às 15h32
Caso Eleci: Promotoria recorre para anular júri que desclassificou feminicídio
Adair Leonir Rommel foi condenado 9 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão - Foto: Reprodução/Especial NB

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) oficializou o recurso para anular o julgamento referente à morte de Eleci Faleiro Rommel, ocorrida em julho de 2025, em Garibaldi. A promotoria contesta a decisão do Tribunal do Júri, realizado no dia 20 de janeiro, que desclassificou o crime de feminicídio para lesão corporal seguida de morte.

Entenda a Polêmica

No julgamento, embora os jurados tenham reconhecido a autoria e a materialidade do fato, eles acataram a tese de que o réu, Adair Leonir Rommel (42 anos), não teve a intenção de matar (animus necandi), mas apenas de agredir a companheira. Eleci foi morta por esganadura (asfixia) no banheiro da residência do casal.

Com a desclassificação, a pena imposta pelo juiz Antônio Pereira Rosa foi de 9 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão, além da perda do poder familiar sobre a filha do casal e indenização de R$ 50 mil.

O Argumento do Ministério Público

O promotor de Justiça Paulo Vitor Bergamo Braga protocolou o recurso sustentando duas falhas principais: nulidade na formulação dos quesitos (perguntas) aos jurados e, principalmente, que o veredito é manifestamente contrário à prova dos autos.

Para o MP, a mecânica do crime (asfixia mecânica/esganadura) é incompatível com a tese de que não houve intenção de matar.

"O MPRS respeita a decisão dos jurados, mas discorda, tendo em vista a ausência de prova que indique que a vontade do réu não era a de matar a vítima. Diante disso, o Ministério Público recorreu e espera que o Tribunal de Justiça determine a realização de novo julgamento", afirmou o promotor.

Caso o Tribunal de Justiça aceite o recurso, o julgamento de janeiro será anulado e um novo júri popular será marcado.

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