
Um médico foi baleado na perna durante o embarque em uma lancha que faria a travessia entre Rio Grande e São José do Norte, na Lagoa dos Patos, por volta das 12h30 de quarta-feira (28). O disparo foi efetuado por um policial militar de 27 anos, que estava fora de serviço no momento do ocorrido. O caso gerou pânico entre passageiros e é investigado pela Polícia Civil.
O episódio aconteceu quando a embarcação ainda estava atracada no cais da hidroviária de Rio Grande e sequer havia iniciado a travessia, conforme relatos. De acordo com as informações iniciais, houve um desentendimento entre os dois homens na área de embarque. A Brigada Militar confirmou que o policial não usava farda e que um Boletim de Ocorrência foi registrado para formalizar os fatos. A corporação informou que abriu procedimentos administrativos e investigativos para apurar as circunstâncias do disparo e eventuais responsabilidades.
Em nota à imprensa, o advogado Flávio Karam Jr., que representa o brigadiano, afirmou que o disparo ocorreu em situação de legítima defesa. Segundo a defesa, a ação teria sido necessária para repelir uma agressão iminente, o que, conforme o comunicado, estaria comprovado no boletim de ocorrência, além de imagens em vídeo e depoimentos de testemunhas.
Ainda segundo a nota, o policial não foi preso e também registrou ocorrência por ameaça e crimes contra a honra. A defesa declarou confiar na apuração dos órgãos competentes.
Nas redes sociais, a esposa do homem baleado apresentou uma versão divergente. Ela afirma que o marido não teria agredido o policial em nenhum momento e que o caso está registrado em vídeo, já encaminhado à Justiça.
Segundo o relato, o homem perdeu grande quantidade de sangue, sofreu ferimentos em ambas as pernas e apresenta suspeita de lesão vascular. Ele foi atendido na Santa Casa de Rio Grande e posteriormente transferido para outro hospital para avaliação especializada. A mulher também relatou que uma enfermeira que acompanhava o policial não teria prestado socorro imediato, situação que, segundo ela, deverá ser apurada.
“Ele perdeu muito sangue e o tiro passou muito próximo de estruturas vitais”, escreveu.
A Polícia Civil ouviu testemunhas e os envolvidos na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). O caso é tratado como possível lesão corporal e será analisado à luz das imagens e depoimentos coletados.
A Brigada Militar reiterou que não compactua com desvios de conduta e que, se confirmadas irregularidades, o militar será responsabilizado conforme a legislação, com respeito ao devido processo legal.