
Uma idosa de 75 anos, conhecida em Jaguarão, no Sul do Rio Grande do Sul, como a chamada “vovó do tráfico”, foi presa novamente por tráfico de drogas durante uma operação da Polícia Civil realizada nesta terça-feira (13). No imóvel, localizado no bairro Cerro da Pólvora, na região central do município, os agentes apreenderam 21 pedras de crack prontas para a venda e dinheiro, conforme informações oficiais divulgadas pela corporação.
A prisão repercute por se tratar de um perfil incomum nas estatísticas do crime organizado: uma mulher idosa, apontada como responsável por abastecer usuários com pequenas porções de droga no próprio bairro — prática que, segundo a polícia, já ocorria há anos.
De acordo com a Polícia Civil, o mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa da investigada na tarde de terça-feira, resultando na prisão em flagrante. A droga apreendida estava fracionada, pronta para comercialização, o que reforça a suspeita de tráfico regular no local.
A identidade da mulher não foi divulgada.
Esta é a segunda prisão da “vovó do tráfico”. Ela já havia sido detida em julho de 2025, também pelo crime de tráfico de drogas. No entanto, acabou solta no dia seguinte, após audiência de custódia — decisão comum em prisões em flagrante, quando o Judiciário avalia legalidade do ato, risco processual e medidas alternativas.
Agora, após a nova prisão, ela foi encaminhada ao sistema prisional e permanece à disposição da Justiça.
Em entrevista relatada por veículos de imprensa, a delegada Juliana Garrastazu Ribeiro afirmou que a investigada já era conhecida no município como ponto frequente de venda. “Muitos usuários falavam que compravam na vovó”, declarou a delegada.
Segundo a polícia, a idosa venderia drogas em casa e teria convivência com um companheiro bem mais jovem, embora o homem não tenha sido preso nesta ação. (
Apesar do choque causado pelo perfil — uma mulher de 75 anos envolvida com comércio de crack —, a Polícia Civil afirma que não se trata de um caso isolado na cidade. Em dezembro, outra idosa, de 73 anos, também foi presa por envolvimento com tráfico, embora os casos não tenham relação entre si.
A delegada avalia que as prisões recentes refletem um dado preocupante: “O que a gente percebe é um aumento do número de mulheres envolvidas no tráfico de drogas.”
Segundo especialistas em segurança pública, esse tipo de atuação — venda direta ao usuário, em pequenas quantidades — faz parte do tráfico varejista, que tem grande impacto social por se situar dentro de bairros residenciais, muitas vezes próximo a famílias, escolas e áreas comunitárias.
O crack, em especial, é uma das drogas associadas a quadros graves de dependência química, agravamento de vulnerabilidade social e aumento de furtos e violência urbana, justamente pelo ciclo rápido de consumo e necessidade de reposição do entorpecente.
A Polícia Civil informou que as diligências fazem parte de investigação para combater pontos ativos de venda de drogas no município. A partir do flagrante, o caso deve seguir para formalização processual, com desdobramentos para identificar possíveis conexões de abastecimento e outros envolvidos.