
Em 22 de janeiro deste ano, escrevi nesta coluna que Anderson Zanella (PL) era o grande nome para a disputa pela Prefeitura. Na época, o presidente da Câmara estava à frente de todos os concorrentes. Em abril, tudo mudou.
A saída de Diogo Siqueira para disputar — e vencer — a eleição para deputado federal reorganizou o jogo. E 2027, que não é ano de eleição, promete ser o ano em que a política de Bento Gonçalves se redesenha.
O prefeito que se consolidou
Em pouco mais de seis meses no cargo, Amarildo Lucatelli praticamente garantiu que será o candidato do governo em 2028, salvo acontecimento grave em sua gestão.
Lucatelli tem conquistado empresários e comunidade com um discurso simples e direto, e isso explica parte do caminho. Mas o que de fato o sustenta é mais prosaico: dois anos à frente do orçamento, da agenda e das obras. Quem administra inaugura, anuncia e aparece. É a vantagem que nenhum adversário consegue comprar.
Quem acha que Zanella está saindo de cena se engana
O presidente da Câmara deixa o comando do Legislativo no fim do ano e, a princípio, não será candidato a prefeito. Mas Zanella vai cair pra cima em 2027. Apurei com fonte da Prefeitura que o nome dele é o cotado para assumir a diretoria do Instituto de Planejamento Urbano (Ipurb), cargo que deve vagar no início do ano, com a licença da diretora Melissa Gauer, que sairá para gestação.
Para quem acompanha a trajetória do vereador, esse é o cargo dos sonhos. Zanella prega mudanças profundas no Plano Diretor e comprou brigas históricas quando o assunto foram empreendimentos imobiliários na Capital Brasileira do Vinho. No Ipurb, ele sai da cadeira de quem vota e senta na de quem formula — e passa a coordenar justamente a revisão do Plano Diretor, algo que ele vem falando há anos.
Não é um cargo menor que a presidência da Câmara. É um cargo diferente, e provavelmente mais decisivo. O Plano Diretor define onde a cidade cresce, o que pode ser construído, quanto vale cada metro quadrado. Quem conduz essa caneta mexe com dinheiro grande e com o futuro de Bento pelas próximas décadas.
Eduardo Viríssimo e a vez que demorou a chegar
Eduardo Viríssimo finalmente deve realizar o objetivo de presidir a Câmara de Vereadores. Assume no início de 2027 e fica até o fim da legislatura. Viríssimo foi soldado fiel do PP mesmo sendo preterido na disputa pela presidência em pelo menos três ocasiões, e mesmo tendo sido o vereador mais votado em duas eleições. Agora terá a chance de mostrar o que sabe fazer.
Com isso, o PP passa a ter, ao mesmo tempo, a Prefeitura e a presidência da Câmara — arranjo confortável para a gestão e que diz muito sobre quem está conduzindo os acordos nos bastidores.
Para Viríssimo, 2027 e 2028 são o vestibular. Se conduzir bem a Casa, projeta-se. E há um detalhe institucional que pode abrir o caminho mais cedo do que parece: pela regra da reeleição, quem assume por sucessão e depois é eleito tende a ficar impedido de disputar novamente na sequência. Se for esse o caso de Lucatelli, 2032 será uma eleição de porta aberta — e Viríssimo chega nela com dois anos de vitrine e currículo de gestão.
Trocar de partido para disputar a prefeitura já em 2028? Particularmente, acho improvável.
O que fica
2027 não terá urna, mas terá reorganização. Um prefeito consolidando a candidatura, um ex-presidente da Câmara migrando para onde se decide o crescimento da cidade e um vereador finalmente sentado na cadeira que lhe escapou por anos.
A urna é em 2028. O tabuleiro se arruma agora.
Na próxiima coluna, falarei sobre o que pode fazer a chamada oposição para combater uma situação tão bem organizada.