Política Notícia falsa?
PF e PGR negam relato de Vorcaro sobre filme de Lula
Órgãos negam ter recebido depoimento ou anexos sobre suposto financiamento de documentário; defesa do ex-banqueiro também contesta informações atribuídas à proposta de delação.
09/10/2026 15h31
Por: Marcelo Dargelio

A Polícia Federal (PF) negou nesta sexta-feira (9) que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenha prestado depoimento ou entregue documentos sobre um suposto repasse de R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação contraria informações divulgadas pela revista Veja, segundo as quais o empresário teria apresentado o relato em sua tentativa de colaboração premiada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa de Vorcaro também contestaram a existência desse material nas tratativas.

A controvérsia começou após a Veja publicar uma reportagem afirmando que Vorcaro teria financiado o documentário Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone, como parte de um suposto acordo para facilitar negócios com fundos de pensão ligados a empresas estatais.

Segundo a publicação, o ex-banqueiro teria relatado pagamentos em dinheiro vivo e negociações com integrantes do PT e do governo federal.

A Polícia Federal, porém, afirmou oficialmente que não recebeu qualquer depoimento ou documentação com o conteúdo descrito pela revista.

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Polícia Federal contesta informações sobre delação

Em nota divulgada às 12h24 desta sexta-feira, a PF esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento sobre o suposto financiamento do filme nem entregou anexos ou documentos relacionados ao conteúdo da reportagem.

A corporação também informou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pelos advogados do empresário não foram aceitas porque não cumpriam os requisitos legais.

A negativa diz respeito às informações supostamente apresentadas à instituição, e não constitui uma conclusão definitiva sobre a autenticidade do áudio divulgado pela Veja ou sobre a existência de pagamentos.

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PGR também nega existência de depoimento

Integrantes da Procuradoria-Geral da República igualmente negaram a existência de um anexo específico com o relato sobre o suposto financiamento do documentário.

Em manifestação divulgada nesta sexta-feira, a PGR esclareceu que as tratativas de colaboração premiada foram conduzidas exclusivamente por advogados contratados pelo empresário.

O órgão também informou que não houve interlocução direta entre Vorcaro e seus representantes nem depoimento oral do ex-banqueiro, uma vez que a proposta foi rejeitada.

Segundo a Folha de S.Paulo, a única referência a filmes envolvendo Lula na proposta de colaboração aparece em material relacionado ao documentário Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Nesse trecho, Vorcaro teria mencionado patrocínios anteriores a produções sobre Lula e o ex-presidente Michel Temer.

Essa referência, porém, não comprova o pagamento de R$ 30 milhões ao documentário de Oliver Stone.

Defesa de Vorcaro também contesta reportagem

Os advogados Sergio Leonardo e Engels Augusto Muniz, responsáveis pela defesa de Vorcaro, afirmaram que o ex-banqueiro não prestou depoimentos à PF ou à PGR durante as tratativas de colaboração premiada.

A defesa também declarou não confirmar o conteúdo publicado pela Veja e criticou a divulgação de supostos anexos relacionados a uma colaboração que não chegou a ser formalizada.

Os advogados sustentam que Vorcaro possui informações relevantes para as investigações e permanece disponível para colaborar com as autoridades.

PF recebe pedido de investigação sobre publicação

Além de contestar a existência do depoimento, a Polícia Federal informou que recebeu nesta sexta-feira uma notícia-crime solicitando providências urgentes relacionadas à divulgação das acusações.

O documento foi encaminhado à área técnica da corporação para avaliação e adoção das medidas de polícia judiciária cabíveis.

O recebimento da notícia-crime não significa que a PF tenha concluído pela ocorrência de um crime.

A publicação da Veja provocou repercussão política porque ocorreu durante o segundo turno da eleição presidencial, disputado por Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Advogados ligados ao grupo Prerrogativas solicitaram investigação sobre uma possível tentativa de utilização das acusações para interferir na disputa eleitoral. Essa suspeita também depende de apuração.

O que permanece sem comprovação

A reportagem da Veja atribuiu a Vorcaro o relato de que teria liberado R$ 30 milhões para a produção do documentário Lula, lançado em maio de 2024.

Até o momento, as informações divulgadas não comprovam que o pagamento tenha sido realizado.

A Polícia Federal, a PGR e a defesa do empresário negam que o suposto relato tenha sido apresentado formalmente nos termos descritos pela revista.

A autenticidade, a origem e as circunstâncias da gravação divulgada pela publicação permanecem questões distintas, que não foram esclarecidas pela nota da PF.

O presidente Lula também negou ter solicitado ou recebido vantagens financeiras de Vorcaro ou autorizado terceiros a receber recursos em seu nome.

A Polícia Federal deverá analisar a notícia-crime apresentada nesta sexta-feira para definir eventuais providências relacionadas ao caso.