Economia
El Niño provoca alterações na circulação geral da atmosfera
Essa anomalia foi uma descoberta de pescadores na costa oeste da América do Sul, próximo do litoral do Peru.
10/05/2024 16h03
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Agência Dino

El Niño é um fenômeno climático que ocorre periodicamente no Oceano Pacífico Equatorial. É caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, que têm um grande impacto nas condições climáticas globais. Ele ocorre em intervalos irregulares de cinco a sete anos e tem duração média que varia entre um ano a um ano e meio, com início nos últimos meses do ano.

Embora seja um fenômeno natural, o El Niño pode apresentar uma série de consequências graves que afetam tanto o meio ambiente quanto a comunidade humana.

“Somado a este fenômeno, evidências científicas confirmam que o planeta está ficando mais quente e que as consequências do aquecimento global serão cada vez mais graves. Tempestades, ondas de calor, secas prolongadas e inundações são alguns dos fenômenos climáticos extremos que serão cada vez mais frequentes”, salienta Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios.

O Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (PNA), instrumento federal criado para promover a redução da vulnerabilidade nacional à mudança do clima e realizar uma gestão do risco associada a esse fenômeno, reforça a necessidade de adaptação da zona costeira por meio de um recorte totalmente voltado a esse tipo de ambiente.

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Ex-economista chefe do Banco Mundial, Nicholas Stern, foi escolhido pelo governo britânico, em 2006, para produzir um relatório sobre o clima. O resultado foi um texto de 700 páginas, no qual Stern afirmava: as emissões de gases de efeito estufa são a maior falha do mercado que o mundo já viu. Uma de suas principais conclusões foi a de que seria necessário o investimento de 2% do PIB mundial para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

As cidades costeiras merecem destaque. Conforme ressaltou o secretário geral da ONU, António Guterres, as cidades são o grande campo de batalha onde a guerra do clima será ganha ou perdida. E são as cidades costeiras que receberão com maior intensidade os efeitos das mudanças do clima, mas que também podem proteger o continente como um todo.

Sem investimentos na proteção dos ambientes costeiros, a infraestrutura e as comunidades localizadas na zona costeira podem ser expostas a progressivos riscos de enchentes e erosões costeiras. “Algumas regiões formadas por ilhas podem sofrer grandes prejuízos ou até mesmo vir a se tornar inabitáveis. Além disso, outros impactos como comprometimento dos recursos naturais e intrusão salina, podem prejudicar fortemente as populações que vivem nessas regiões”, afirma o professor de educação ambiental José Raul Lopez Gomes.

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Em determinadas regiões do Brasil, já estão sendo registrados efeitos climáticos cada vez mais intensos, que promovem destruição por onde passam, causando legiões de desabrigados e promovendo ou intensificando a desagregação social.

Segundo Francisco Eliseu Aquino, climatologista e Chefe do Departamento de Geografia da UFRGS, as tempestades que geraram chuva extrema nos últimos sete dias decorrem de complexa situação atmosférica formada sobre o Rio Grande do Sul. Os contrastes entre a onda de calor no centro do Brasil e o ar frio de origem antártica ao sul, associado a ciclones extratropicais, favorecem eventos extremos em um planeta mais quente. Pelo trabalho de investigação em eventos extremos que está sendo feito nos últimos 20-30 anos no Rio Grande do Sul, já era previsto que a mudança climática se somasse aos fatores naturais, intensificando eventos climáticos e meteorológicos extremos no mundo e em especial no Sul do Brasil.

“Os impactos das tempestades na sociedade gaúcha demonstram que, se persistirmos com a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento das florestas do planeta, eventos climáticos severos e extremos, como chuvas intensas e secas escaldantes, se tornarão cada vez mais frequentes”, finaliza a ambientalista Vininha F. Carvalho.