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Extensão universitária depende de financiamento permanente, defendem debatedores
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados Lídice: vamos atuar para incluir a extensão nos orçamentos das universidades Em debate sobre o financiamento ...
25/05/2023 18h10
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Agência Câmara de Notícias
Lídice: vamos atuar para incluir a extensão nos orçamentos das universidades - (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

Em debate sobre o financiamento da extensão universitária no País nesta quinta-feira (25), representantes de instituições de ensino superior defenderam, além de orçamento permanente, a integração dos projetos de extensão com as políticas governamentais.

Conforme explicaram os participantes da audiência pública da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, o Plano Nacional da Educação em vigor tornou obrigatória a inclusão de projetos de extensão no currículo regular dos cursos de graduação. Pela lei, as atividades de extensão devem responder por 10% da carga horária dos estudantes, pelo menos.

Apesar dessa exigência, a extensão nunca contou com orçamento próprio. O financiamento das atividades sempre ocorreu por meio de editais das instituições de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

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Entre 2003 e 2016, segundo o diretor de Políticas e Programas de Educação Superior do Ministério da Educação, Alexandre Fonseca, havia no ministério um programa de extensão, extinto depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mesmo no período, a maior destinação governamental à atividade foi de R$ 85 milhões.

Conforme explicou a coordenadora do Fórum de Pró-reitores de Extensão dos Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica, Geísa Boaventura, fazer extensão exige investimento. Muitas vezes, segundo disse, os alunos precisam se deslocar por longas distâncias porque muitas atividades ocorrem em comunidades no interior do país.

Dandara: experiência de vida com a extensão universitária - (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

Extensão em terra indígena
Esse foi o caso da deputada Dandara (PT-MG). Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia, ela realizou projeto de extensão universitária em uma comunidade indígena do Mato Grosso, como relatou na audiência.

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“Eu deixei de trabalhar na lan house do meu bairro para fazer Pibid [Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência], educação do campo. Eu consegui me dedicar à educação, à ciência, à pesquisa graças à bolsa de R$ 400 que eu recebia. Se hoje consigo debater a demarcação de terras indígenas e lutar contra esse marco temporal, cuja urgência foi aprovada ontem de forma abrupta, é porque eu tive a oportunidade, em 2013, de ir para as aldeias Guarani-Kayowá", disse a deputada. 

Educação integral
Embora a destinação de orçamento permanente para a extensão seja fundamental, o financiamento das atividades pode vir também do trabalho conjunto com outros órgãos da administração pública. Assim como os demais debatedores, o vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Penildon Silva Filho, sublinhou que as atividades de extensão podem e devem se integrar a outras políticas do governo federal, como educação básica.

“A curricularização da extensão vem para complementar o principal programa do governo Lula, que é a educação integral, que não é somente a educação de tempo integral, é uma educação de qualidade integral, de formação nas humanidades, de formação nas ciências, de formação nas artes, de formação política", disse.

Para ele, a extensão também pode contribuir com as políticas de distribuição de renda. Na UFBA, Penildon Silva Filho explicou que parte da assistência estudantil ocorre por meio de bolsas de extensão universitária. O mecanismo ajudaria, inclusive, a assegurar a permanência do aluno na universidade.

De acordo com o vice-reitor, a evasão do ensino superior sempre foi alta, em torno de 30%. Depois da pandemia de Covid-19, no entanto, o problema teria se agravado, e agora metade dos estudantes abandonam os cursos de graduação.

Integrar a universidade à educação básica poderia reduzir também o abandono dos estudos por alunos do ensino médio, que, conforme ressaltou Penildon Silva Filho, representa um dos grandes desafios do país. Segundo ele, a interação entre os dois níveis de ensino levaria a uma melhoria na qualidade da educação básica e colocaria os alunos do ensino médio em contato com a universidade, criando para eles uma perspectiva de futuro.

Penildon: extensão pode atuar contra evasão nos ensinos superior e médio - (Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados)

Orçamento
Autora do pedido para a realização da audiência pública, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) se comprometeu a trabalhar para assegurar destinação orçamentária permanente para os programas de extensão universitária.

“Nós devemos atuar na Comissão de Orçamento para incluir a extensão no orçamento das universidades, do Ministério da Educação, trabalhar nas emendas das bancadas regionais. O nosso entendimento é que nós precisamos ampliar os orçamentos das universidades para ampliar também o orçamento da extensão universitária”, disse.

Lídice da Mata também considera fundamental a criação de uma política sistêmica da extensão, em integração com as demais ações do governo. Para a deputada, é importante incluir estados e municípios no debate para o estabelecimento dessa política.