Geral Caso inacabado
Após 14 anos, caso dos irmãos Kasmiriski tem decisão judicial
Motorista e empresa de guinchos terão que indenizar a família por danos morais e materiais no montante que supera os R$ 700 mil, além de pensão mensal.
11/04/2023 12h34 Atualizada há 3 anos
Por: Fonte: NB Notícias
Foto: Kévin Sganzerla/NB

Um novo capítulo do caso dos irmãos Kasmiriski veio à tona na semana passada, dias antes de completar exatos 14 anos do atropelamento que vitimou Itamar, na época com 18 anos de idade, Willian, 16, e Rodrigo, 14, ocorrido no dia 11 de abril de 2009. A sentença na esfera cível condenou os réus – o motorista e a empresa de guinchos – ao pagamento de indenização por danos morais e materiais no valor de R$ 791.560,85, além de pensão mensal. Ainda cabe recurso da decisão. 

Conforme a sentença proferida pela juiz Carlos Koester, no dia 23 de março, o motorista e a empresa que era proprietária do guincho terão que pagar uma indenização, por danos morais, no valor de R$ 781.200,00; e por danos materiais, no valor de R$ 10.360,85. 

Os réus também terão que efetuar o pagamento de pensão mensal, no valor equivalente a 2/3 dos rendimentos de Itamar e 2/3 do valor do salário mínimo em relação a Willian e Rodrigo, a contar do dia do óbito das vítimas, e que terá que ser paga até a data em que os falecidos atingirem 73 anos. Além disso, terão que se encarregar do pagamento da taxa de serviços judiciais e de honorários com advogados.  

Na esfera penal, o caso, que inicialmente era classificado como crime de homicídio simples de dolo eventual, sustentado pelo Ministério Público, foi tratado como crime culposo de trânsito, quando não há a intenção de cometer o crime, mas que, por negligência das partes, poderia ter sido evitado. Portanto, o réu não foi julgado pelo Tribunal do Júri. O processo ainda está andamento. 

Continua após a publicidade

Conforme o advogado dos pais dos irmãos, César Gabardo, caso os réus não efetuarem o pagamento imposto na sentença, os responsáveis pela empresa e o motorista podem ser recolhidos ao presídio.  

De acordo com o advogado do motorista, Milton João Boesing, a defesa vai recorrer com a justificativa de que o motorista não tem a responsabilidade pela manutenção do guincho, e sim a empresa proprietária do veículo. Ainda alegou que o Delegado na época, Álvaro Becker, havia constatado que outro guincho da empresa possuía a mesma falha. 

O advogado de defesa da empresa de guinchos, Fernando Sartori, afirmou que não dará nenhuma declaração neste momento. “Caso haja alguma manifestação será feita somente nos autos do processo”, afirmou. 

Continua após a publicidade

Relembre o caso:

O atropelamento dos irmãos Itamar, Willian e Rodrigo Kasmiriski é um dos mais emblemáticos casos de Bento Gonçalves e que comoveu a comunidade. No dia 11 de abril de 2009, por volta das 20h, as vítimas caminhavam em fila no acostamento no quilômetro 4 da ERS-444, próximo da entrada para o bairro Barracão. Eles caminhavam em direção à Associação Bento-gonçalvense de Cultura Tradicionalista Gaúcha (ABCTG), a cerca de um quilômetro da casa onde residiam com os pais, para participarem de um evento automobilístico. 

Quando caminhavam entre a mureta de proteção e a pista, os irmãos foram atingidos pela haste de sustentação do guincho, o qual, conforme perícia realizada pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), apresentava defeito na trava. Na época, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as causas e apontar a autoria do crime. Inicialmente, os investigadores seguiram diversas pistas falsas, mas conseguiram levantar informações por meio de testemunhas que levaram ao suspeito, o qual foi indiciado pela morte dos irmãos. 

O IGP concluiu que as lesões encontradas nos corpos eram condizentes com a altura do equipamento que os atingiu. O condutor do guincho, que não parou para prestar socorro às vítimas, justificou que não percebeu ter os atropelado, embora tenha visto os irmãos quando passou por eles na via e escutado um barulho em seguida.