Geral Casos de escravidão
Vinícolas Salton, Aurora e Garibaldi não tinham ligação direta com maus tratos a trabalhadores
Casos análogos à escravidão ocorreram quase que de forma exclusiva no alojamento onde os mais de 200 trabalhadores foram alocados em Bento Gonçalves.
25/02/2023 11h42 Atualizada há 3 anos
Por: Marcelo Dargelio
Auditor fiscal Rafael Zan (centro) detalhou que os problemas mais graves ocorreram no alojamento onde os trabalhadores ficavam - Foto: NB Notícias

Uma entrevista coletiva feita pelo Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federa na manhã deste sábado, 25, mostrou que as vinícolas Garibaldi, Salton e Aurora, não tinham ligação direta com a situação análoga à escravidão encontrada em Bento Gonçalves. As empresas sequer foram fiscalizadas, muito pelo motivo de que mantinham atenção adequada aos trabalhadores enquanto eles atuavam em seus espaços. A investigação recai, principalmente, sobre a empresa Fênix Serviços de Apoio Administrativo (antiga Oliveira & Santana) que trouxe os trabalhadores para atuarem na safra da uva.

Segundo o auditor fiscal do Ministério do Trabalho, Rafael Zan, os principais problemas que caracterizaram o trabalho análogo à escravidão ocorreram junto ao alojamento onde os 207 trabalhadores eram mantidos. Deste total, 198 eram baianos vindos das cidades de Salvador, Serrinha e Feira de Santana, principalmente. As condições precárias do alojamento, a comida servida para os trabalhadores, as agressões e também a restrição de liberdade no local mediante dívida são os levantamentos apontados pelos fiscais para a condição de trabalho escravo. 

Rafael Zan revelou que as vinícolas citadas até o momento (Salton, Aurora e Garibaldi) sequer foram fiscalizadas. Segundo o auditor, isso aconteceu porque os relatos eram de que as empresas atendiam as necessidades dos trabalhadores no local de trabalho, como na alimentação e material de trabalho utilizado. Eles não atuavam em propriedades rurais destas vinícolas, mas sim na atividade de carga e descarga de caixas de uva dos caminhões para as vinícolas. 

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Nas propriedades rurais visitadas, Zan destacou que foram encontradas  situações em que os trabalhadores dormiam em um colchão no chão. Porém, o auditor relatou que muitos trabalhadores preferiam ficar nas propriedades rurais do que voltar para o alojamento. O auditor resgatou que a responsabilidade prioritária é da empresa Fênix Serviços de Apoio Administrativo, que foi quem contratou os trabalhadores e trouxe-os das cidades baianas.

De acordo com o auditor fiscal, os proprietários da empresa Fênix, da pousada e do mercadinho são pessoas diferentes. Mesmo assim, ele afirma que há uma ligação entre elas, mas que isso será apurado pelas empresas de segurança.