Educação Rio Grande do Sul
Professores e alunos mostram entusiasmo no início do projeto Estudos de Recuperação
O período de Estudos de Recuperação da rede estadual de ensino começou nesta quarta-feira (8/2). A iniciativa, realizada em caráter excepcional pel...
08/02/2023 19h45
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Secom RS
A secretária Raquel esteve na Escola Estadual Cândido Godói para conferir o primeiro dia das aulas de reforço -Foto: Grégori Bertó/Secom

O período de Estudos de Recuperação da rede estadual de ensino começou nesta quarta-feira (8/2). A iniciativa, realizada em caráter excepcional pela Secretaria da Educação, é uma oportunidade a mais para que os alunos recuperem a defasagem no aprendizado, observada ao longo dos últimos anos em função da pandemia. 

A secretária da Educação, Raquel Teixeira, esteve na Escola Estadual Cândido Godói, em Porto Alegre, para conferir o primeiro dia das aulas de reforço oferecidas aos alunos que não atingiram a média anual ou que tiveram frequência inferior a 75% no ano passado. Ela ressaltou que a iniciativa não é uma forma de aprovação automática. As aulas extras vão até 17 de fevereiro, quando os estudantes serão submetidos a uma avaliação, podendo ser aprovados caso atinjam o nível necessário.

“Não é aprovação automática. Em dezembro, eles já foram orientados pelos professores e receberam material para estudar em janeiro, durante as férias. Agora, até o dia 17, terão aulas presenciais de recuperação. É como um sistema de professor particular dentro da escola pública, já que as turmas são de poucos alunos. Na escola privada é isso que acontece. Quando o aluno está para reprovar, as famílias com condição socioeconômica mais alta pagam um professor particular. E na escola pública, que é onde está a maior parte dos alunos, não há essa possibilidade”, disse Raquel. 

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Na escola visitada pela secretária estudam 350 alunos. Destes, 22 participam dos estudos de recuperação. As turmas de aulas extras não somam mais de cinco alunos cada, o que possibilita que os professores dediquem maior atenção às dúvidas dos estudantes.

Nattaly ficou contente que conseguiu recuperar muita conteúdo com a ajuda da professora -Foto: Grégori Bertó/Secom

Nattaly Ribeiro, 17 anos, teve a sua primeira aula de reforço de português nesta quarta-feira. Para ela, a baixa frequência não se revelou um problema, mas sim a dificuldade com o conteúdo. “Português e literatura foram minhas maiores dificuldades no ano passado. Hoje foi muito bom, conseguimos recuperar muita coisa com a ajuda da professora e eu consegui ter mais foco. Estou fazendo as aulas porque quero passar para o terceiro ano e espero conseguir”, contou a estudante, que deseja se formar e cursar Odontologia. 

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Eduardo Flores, também de 17 anos, reprovou em função da baixa frequência. O jovem, que vive com a mãe e a avó, começou a trabalhar no início de 2022 para ajudar em casa, mas acabou prejudicando seu desempenho na escola. “Não queria depender tanto da minha mãe e queria ajudar. No começo eu conseguia levar, mas depois fiquei sobrecarregado e não tinha tempo para estudar. Não conseguia conciliar as duas coisas. Acabei perdendo o estágio e fiquei desmotivado”, contou. 

A chance de concluir o Ensino Médio em 2023 renovou o ânimo de Eduardo (D) -Foto: Grégori Bertó/Secom

Em outubro, Eduardo já estava com a frequência comprometida e acabou desistindo de cursar o terceiro ano em 2023. “Achei que já tinha perdido o ano, que não valia mais a pena tentar. Então minha mãe veio até a escola pedir transferência para outra, mais perto de casa, e ficou sabendo dessa chance de recuperação”, disse. A chance de concluir o Ensino Médio em 2023 renovou o ânimo de Eduardo e de toda a família. “Eu vou estudar e passar. Minha mãe e minha avó ficaram muito felizes com a oportunidade. Elas estão torcendo muito por mim. Agora vou conseguir. Essa chance veio e não vou decepcionar ninguém”, enfatizou. 

No primeiro dia de aulas de reforço, Eduardo impressionou a professora de Inglês, Raquel Cândido, que lamentou a ausência do aluno no ano passado. “Já se pode ver que é um ótimo aluno, inteligente e muito educado. Que bom que ele veio e aproveitou a oportunidade. Espero vê-lo no ano que vem”, disse.  A educadora comemorou a adesão dos alunos aos estudos de recuperação. “Todos vieram, inclusive os infrequentes. Eles vão evoluir e conseguiremos fazer um bom trabalho”, comentou. 

O entusiasmo dos professores e dos alunos ficou evidente na largada do projeto, como percebeu a secretária Raquel. “Os professores estão aderindo e acreditando na capacidade dos alunos, que estão gratos e empolgados com a chance que receberam. Estamos felizes por inspirar esse clima e essa postura escolar. O Conselho Nacional de Educação atribuiu a cada sistema educacional das 27 unidades do Brasil a responsabilidade de definir que chances e oportunidades dariam aos alunos que não conseguiram alcançar os 75% de frequência. E eles estão aqui, agarrando essa oportunidade”, destacou. 

A iniciativa vale apenas para esse ano, com o objetivo de mitigar a defasagem causada pela pandemia, que evidenciou as desigualdades sociais no sistema de ensino. O diretor da escola, Marcus Vinicius Borba Sobotyk, resumiu o impacto da medida: “Desde o início da pandemia vimos a queda acentuada da frequência na escola. Muitos abandonaram de vez, se desestimularam. Essa medida certamente permitirá que muitos alunos concluam os estudos que talvez deixassem para trás".

Texto: Thamíris Mondin/Secom
Edição: Vitor Necchi/Secom