Geral Rio Grande do Sul
Grupo Aegea vence leilão da Corsan com proposta de R$ 4,151 bilhões
A companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) foi arrematada, nesta terça-feira (20/12), em proposta única de R$ 4,151 bilhões, com ágio de 1,15%...
20/12/2022 14h30
Por: Marcelo Dargelio Fonte: Secom RS
Leilão foi realizado na sede da B3, em São Paulo -Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini

A companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) foi arrematada, nesta terça-feira (20/12), em proposta única de R$ 4,151 bilhões, com ágio de 1,15% em relação ao valor mínimo estipulado no edital, em leilão realizado na sede da B3, em São Paulo. O vencedor foi o consórcio Aegea, líder em saneamento básico do setor privado no Brasil que já atua no RS, por meio de parceria público-privada (PPP) com a Corsan para a coleta e tratamento de esgoto na região metropolitana de Porto Alegre.

Essa é a primeira privatização de uma companhia estadual de saneamento no Brasil e teve como objetivo assegurar o cumprimento do novo marco legal do saneamento. A legislação federal determina que, até 2033, 99% da população deve ter acesso à água potável e 90%, à coleta e tratamento de esgoto – metas incompatíveis com a capacidade de investimento da companhia.

O governador Ranolfo Vieira Júnior acompanhou, de Porto Alegre, o leilão de forma virtual, participando, após, de videoconferência com os participantes do certame.

Continua após a publicidade

"A decisão de privatização veio em razão do marco legal de saneamento, da necessidade de universalização nos próximos 10 anos. Em julho deste ano, trocamos a modelagem inicial, deixando para trás a oferta de ações e optando pela alienação integral, que se concretiza neste momento. Esse processo vai significar a qualificação no atendimento para mais de 6 milhões de pessoas em 317 municípios gaúchos. Será ainda um vetor de desenvolvimento econômico e, consequentemente, de desenvolvimento social”, disse Ranolfo.

Governador acompanhou por videoconferência, a partir do Palácio Piratini -Foto: Gustavo Mansur / Palácio Piratini

Com a desestatização, estão previstos investimentos de cerca de R$ 13 bilhões na companhia nos próximos 10 anos a fim de garantir maior eficiência operacional e atendimento à população.

A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, destacou a importância do processo para melhoria no serviço de saneamento. “É papel do Estado buscar as melhores alternativas para atender a sua população. Saneamento é questão de saúde pública, e temos urgência nesta pauta”, acrescentou.

Continua após a publicidade
“A única forma que se tem de atender ao novo marco é com investimentos do setor privado”, disse Spilki -Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini

Atualmente, a Corsan atende um percentual insuficiente da demanda de esgotamento sanitário nos municípios onde atua. Conforme o secretário executivo de Parcerias do RS, Marcelo Spilki, o Rio Grande do Sul tem uma proporção muito boa em termos de fornecimento de água potável, com cerca de 97% de atendimento nos municípios, mas ruim, de apenas 20%, na coleta e tratamento de esgoto. “A única forma que se tem de atender ao novo marco é com os investimentos do setor privado”, disse.

Com a alienação dos papéis da Corsan, realizada em um lote único de 630 milhões de ações, o Estado deixa de ser agente executor e passa a atuar como fiscalizador e regulador dos serviços através da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Agergs).

“Esse processo se pautou em uma missão de fazer da Corsan um case de transformação na área do saneamento. A companhia vai poder acelerar suas entregas e servir de exemplo para outras”, disse o diretor-presidente da Corsan, Roberto Barbuti.

Grupo Aegea

O grupo Aegea atende cerca de 21 milhões de pessoas em 154 municípios no país. Atua no RS, por meio de PPP com a Corsan para a coleta e tratamento de esgoto em nove cidades da região metropolitana de Porto Alegre.

"Reforçamos o compromisso em investir no RS e no saneamento", disse Leandro Marin, vice-presidente de Operações da Aegea -Foto: Itamar Aguiar / Palácio Piratini

“Ao dar esta oferta, reforçamos o compromisso em investir no Estado do Rio Grande do Sul e no saneamento, sempre com muita sustentabilidade, trazendo um olhar especial sobre as populações mais vulneráveis”, disse o vice-presidente de Operações da Aegea, Leandro Marin.

O Estado permanece como acionista controlador da Corsan até a efetiva data de assinatura do contrato de compra e venda e a liquidação da operação, prevista para março de 2023.

Texto: Thamíris Mondin
Edição: Christianne Schmitt/Secom