A fábrica de móveis do Grupo Ditália, localizada em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, será levada a leilão judicial nesta terça-feira (10), às 14h, em Caxias do Sul. O lance inicial será de R$ 48 milhões. Apesar de ter a falência decretada pela Justiça e acumular uma dívida estimada em R$ 85 milhões, a indústria continua funcionando e mantém 101 trabalhadores.
A confirmação do leilão foi divulgada neste domingo (8). Segundo o leiloeiro Norton Fernandes, responsável pela condução da disputa, o procedimento deverá ter transmissão pela internet. O caso chama a atenção porque a falência não provocou o encerramento imediato das atividades. A produção permanece em funcionamento, e os salários dos funcionários e pagamentos aos fornecedores estão em dia, conforme informações da administração judicial.
A Justiça decretou a falência do Grupo Ditália em julho deste ano, depois que os credores rejeitaram o plano de recuperação judicial apresentado pela empresa. Com a decisão, a administração judicial optou por manter a operação industrial enquanto organizava a venda da fábrica.
A estratégia é negociar o complexo por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), modalidade prevista na legislação que permite a venda de ativos organizados para o exercício de uma atividade econômica. Na prática, a proposta é encontrar um comprador interessado na estrutura industrial em funcionamento, em vez de vender apenas máquinas, equipamentos e outros bens separadamente.
Essa modalidade também possui regras específicas sobre a sucessão de obrigações da empresa falida, conforme a legislação e as condições estabelecidas no processo judicial. A continuidade da produção durante o procedimento busca preservar o valor econômico da operação e criar condições para a manutenção dos postos de trabalho.
No entanto, a realização do leilão não garante, por si só, a continuidade futura das atividades ou a preservação integral dos empregos.
A situação financeira do Grupo Ditália envolve uma dívida estimada em R$ 85 milhões, acumulada antes da decretação da falência. O valor inicial de R$ 48 milhões corresponde à oferta mínima estabelecida para a disputa pela unidade industrial. Não representa o preço final de venda, que dependerá do resultado do procedimento.
A diferença de R$ 37 milhões entre o valor inicial do leilão e a dívida estimada também não significa, necessariamente, que esse será o saldo restante devido aos credores. A dívida pertence ao processo falimentar, enquanto o leilão envolve os ativos definidos para a alienação judicial.
A história do Grupo Ditália começou em 1990, em Bento Gonçalves, quando a empresa produzia estofados em uma sala de apenas 70 metros quadrados. Com o crescimento dos negócios, a fabricante expandiu suas atividades e transferiu a unidade industrial para Monte Belo do Sul.
Durante seu período de maior atividade, chegou a empregar cerca de 600 pessoas, tornando-se uma empresa relevante para a cadeia moveleira da Serra Gaúcha. Atualmente, o quadro é de 101 trabalhadores, uma redução de aproximadamente 83% em relação ao número máximo de empregados informado pela empresa.
A venda desta terça-feira representa uma etapa importante do processo de falência da Ditália. Caso haja arrematação e sejam cumpridas as condições judiciais, a unidade poderá passar ao controle de um novo responsável pela operação.