O Palazzo del Lavoro, um dos edifícios comerciais mais conhecidos do Centro de Bento Gonçalves, completou 30 anos em 30 de outubro de 2026. Inaugurado em 1996, o prédio se tornou uma referência na paisagem urbana da cidade e guarda uma história marcada por desafios de engenharia, investimentos e um cronograma de construção que surpreendeu moradores na década de 1990.
Localizado entre as ruas Cândido Costa e Saldanha Marinho, o empreendimento reúne 160 salas comerciais e abriga escritórios, consultórios e diferentes atividades profissionais. Três décadas depois da inauguração, permanece como um endereço tradicional para empresas e prestadores de serviços.
Por trás da construção está a trajetória do empresário Romeo Paludo, que relembra os obstáculos enfrentados para transformar o projeto em realidade. A história do Palazzo del Lavoro começou a ganhar forma em 1994, quando Bento Gonçalves acompanhava outras obras de edifícios que enfrentavam dificuldades para avançar.
O empreendimento teve início com a aquisição de um terreno pertencente à família Pasquali. Posteriormente, a compra de uma área nos fundos, da família Michelin, permitiu ampliar o espaço destinado à construção. Um dos primeiros desafios foi a preparação do terreno. As escavações exigiram intervenções em rocha e detonações controladas, realizadas com cuidados para reduzir os impactos sobre as edificações vizinhas.
Mas foi a velocidade com que a estrutura começou a subir que despertou a atenção da população. Segundo Romeo Paludo, a equipe responsável pela obra recebeu uma orientação clara: manter um ritmo constante de execução, com uma nova laje concluída aproximadamente a cada 25 dias.
A decisão tinha um objetivo. Em uma época em que construções demoradas provocavam desconfiança entre compradores, cumprir os prazos era fundamental para demonstrar a viabilidade do empreendimento. O ritmo das obras passou a alimentar comentários entre os moradores. Alguns chegaram a brincar que a construtora estaria adicionando fermento ao concreto para fazer o prédio crescer tão rapidamente. “Perguntavam o que é que nós estávamos botando, se estávamos colocando fermento. Não, nós estávamos colocando trabalho”, recorda Paludo.
Além do desafio de engenharia, o Palazzo del Lavoro precisava conquistar compradores antes mesmo de estar concluído. A estratégia comercial explorou uma preocupação presente entre os brasileiros na década de 1990: a segurança financeira para a aposentadoria.
A campanha apresentava a aquisição de uma sala comercial como alternativa de investimento para gerar renda futura. O slogan utilizado na época era direto: “Faça você mesmo a sua própria aposentadoria e compre uma sala no Palácio”.
De acordo com o relato de Paludo, a proposta teve boa aceitação e as vendas contribuíram para financiar o andamento da construção. A ideia era permitir que os compradores começassem a obter renda com os imóveis o mais rapidamente possível, evitando os longos períodos de espera que marcavam outros empreendimentos.
O Palazzo del Lavoro foi executado pela Construtora Poletto. Entre os nomes mencionados na história do empreendimento estão Silvino Grapiglia e Elia Japur, que participaram de seu desenvolvimento. Desde a concepção, o edifício foi planejado para reunir diferentes atividades econômicas.
O pavimento térreo recebeu espaços destinados ao comércio, enquanto os andares superiores foram direcionados principalmente a consultórios e escritórios de profissionais liberais, como médicos, dentistas, advogados e contadores.
O projeto também contemplou acessos pelas ruas Cândido Costa e Saldanha Marinho, permitindo a circulação de pessoas entre dois pontos importantes da região central.
Outro detalhe da concepção original envolvia o último pavimento. A proposta inicial previa a instalação de um restaurante panorâmico, aproveitando a vista da cidade.
O espaço, entretanto, acabou recebendo outra destinação, ligada à atividade cartorária. Ao longo dos anos, o edifício consolidou sua ocupação comercial e de serviços, acompanhando as transformações econômicas do município.
Quando foi inaugurado, em 30 de outubro de 1996, o Palazzo del Lavoro passou a integrar um período de expansão das construções comerciais de maior porte no Centro de Bento Gonçalves.
A dimensão do empreendimento e sua localização contribuíram para torná-lo uma referência na paisagem urbana. O prédio também representa uma etapa da verticalização da cidade, em um momento em que a concentração de serviços profissionais no Centro impulsionava a demanda por salas comerciais.
Com 160 unidades, o Palazzo del Lavoro passou a reunir diferentes segmentos em um mesmo endereço, característica que permanece associada ao edifício três décadas depois.
Para Romeo Paludo, a comemoração dos 30 anos representa mais do que a lembrança de uma obra concluída. O empresário destaca a satisfação de ver o empreendimento continuar em funcionamento e manter sua importância para profissionais e empresas que escolheram o local para desenvolver suas atividades. “O que nós sentimos em primeiro plano é muito orgulho de tê-lo feito”, afirma.
Paludo também ressalta a relação construída com os compradores e ocupantes das salas ao longo dos anos. Na avaliação dele, a permanência do edifício como referência comercial demonstra que a proposta original conseguiu atravessar três décadas de mudanças na cidade.
A construção, que começou em meio a dúvidas sobre a possibilidade de cumprir um cronograma considerado ousado, chegou aos 30 anos como parte da memória urbana de Bento Gonçalves.
Mais do que a altura ou o número de salas, o Palazzo del Lavoro guarda uma história ligada ao desenvolvimento do Centro e à transformação da maneira como a cidade passou a ocupar seus espaços comerciais.