O Ministério Público do Trabalho (MPT) registrou 530 denúncias de assédio e retaliação eleitoral entre o final da noite de domingo (25) e a tarde de terça-feira (27). O montante expressivo representa 21,4% do total de 2.467 casos contabilizados pela instituição ao longo do ano de 2026, evidenciando o acirramento das práticas de perseguição mesmo após o encerramento da votação.
Conforme o MPT, multiplicaram-se nas redes sociais publicações de políticos, influenciadores e empresários incentivando a demissão de trabalhadores, a recusa de contratações e o boicote comercial a pequenos estabelecimentos motivados pelas escolhas nas urnas. O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, enfatizou a ilegalidade das condutas: "O empresário é dono do negócio, e não do voto do seu empregado. Demitir trabalhadores por sua convicção política é ilegal e será alvo de atuação do MPT perante a Justiça do Trabalho".
Entre os relatos sob apuração estão incitações diretas para desligamento de colaboradores e estratégias veladas, como a justificativa de dispensa sob o pretexto corporativo de "falta de alinhamento à cultura da empresa". O MPT reforça que ameaças, dispensas sumárias ou punições embasadas na orientação política constituem graves infrações trabalhistas, sujeitas a indenizações por danos morais e ações judiciais. As denúncias podem ser protocoladas anonimamente no portal do órgão.