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Prefeitura de Bento começa a recuperar ponte de acesso à Cotiporã
Trecho do lado de Bento que foi levado pelas águas será concretado para garantir o acesso de veículos pelo trecho.
20/10/2026 10h14
Por: Marcelo Dargelio
Enchente levou um tabuleiro da ponte no dia 2 de julho - Foto: Reprodução

A obra que pretende devolver a passagem entre Bento Gonçalves e Cotiporã começou nesta segunda-feira (19) — e corre contra um prazo que não se negocia: o início da vindima, em janeiro. A travessia sobre o Rio das Antas está interrompida há 110 dias. Sem ela, os produtores rurais daquela região precisam contornar por outras rotas para levar a uva às vinícolas de Bento Gonçalves e Garibaldi, num período em que o intervalo entre a colheita e a chegada à cantina pesa na qualidade do produto.

A confirmação do início dos trabalhos foi dada pelo prefeito de Bento Gonçalves, Amarildo Lucatelli, em entrevista ao NB Notícias na manhã desta terça-feira (20). “Já estamos trabalhando lá. Começou ontem. Eu coloquei um maquinário lá, nós vamos fazer o aterramento dos dois lados”, afirmou. “Nós iniciamos ontem o aterramento e a gente vai botar pedras grandes lá, além de um concreto. Vamos aterrar aquela cabeceira para poder liberar”, destacou o prefeito.

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A intervenção consiste no aterramento da cabeceira da ponte, com uso de pedras de grande porte e concreto. Segundo o prefeito, as máquinas já estão no local e a obra aproveita as próprias pedras existentes na área. “Estamos com máquinas lá, aterrando a cabeceira, usando as próprias pedras, tudo já com licenciamento ambiental, tudo em dia certinho, para poder logo já liberar essa ponte”, disse Lucatelli, que afirmou que iria ao local na tarde desta terça-feira, 20, para acompanhar os trabalhos.

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“Uma meia-sola para quebrar o galho”

O prefeito foi direto ao definir o caráter da obra, e usou as próprias palavras para explicar a lógica do que está sendo feito. “Enquanto isso, vamos fazer um quebra-galho, né? Uma meia-sola para o pessoal da uva estar chegando. Nós precisamos dar o rumo logo para essa ponte e já estamos trabalhando lá.”

Lucatelli também reconheceu que a solução pode não resistir a uma nova cheia do Rio das Antas — e disse que, se isso acontecer, a obra será refeita. “Ah, mas aí poderá vir uma enchente e levar. Tudo bem, se levar, nós vamos repor as pedras de volta e vamos manter ela que funcione, para as pessoas poderem usá-la”, finalizou o prefeito.

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A conta da safra

A pressa tem data no calendário. A colheita da uva na Serra Gaúcha começa em janeiro e se estende até março, e é nesse período que o tráfego de caminhões carregados entre as propriedades rurais e as cantinas se intensifica. Ainda nos meses de dezembro a circulação de veículos no trecho já se intensifica.

Com a ponte fechada, cada carga que sai daquela região em direção a Bento Gonçalves ou Garibaldi acumula quilometragem, tempo e combustível a mais. São pouco mais de dois meses até o início da vindima.

A ponte nova segue em outro ritmo

A recuperação da estrutura antiga corre em paralelo à construção da nova ponte, e serve justamente para cobrir o intervalo até que ela fique pronta.

Na sexta-feira (16), o prefeito de Cotiporã, José Carlos Breda, assinou o edital de licitação da nova estrutura, que terá 330 metros de comprimento e 8,40 metros de largura, construída acima da cota de inundação do Rio das Antas, com valor estimado em R$ 26.653.000. A abertura das propostas está marcada para 9 de dezembro, e o prazo de execução previsto é de 12 meses.

Sobre o financiamento da obra nova, Lucatelli afirmou que o recurso está encaminhado. “Está sendo trabalhado com o projeto e já em fase de licitação, já com recursos que o governo do estado vai liberar para a ponte nova”, afirmou.

Na sexta-feira, ao assinar o edital, a Prefeitura de Cotiporã havia informado que o convênio com o Estado ainda não estava assinado e que os recursos não estavam disponíveis em caixa. A publicação antecipada do edital, segundo a administração, serve para adiantar de 8 a 10 meses o processo.

O que aconteceu com a ponte

A ligação está interrompida desde 2 de julho, quando a cheia do Rio das Antas levou parte da estrutura, incluindo um dos tabuleiros.

Em setembro, as duas prefeituras firmaram contrato de R$ 655 mil para a recuperação da ponte, precedido de perícia técnica de R$ 49.750 exigida pelo Tribunal de Contas do Estado e concluída no dia 21 daquele mês. A obra não chegou a ser iniciada.

No início de outubro, Lucatelli e Breda se reuniram com representantes da Secretaria de Logística e Transportes do Estado (Selt), ocasião em que foi descartada a instalação de uma balsa entre as duas cidades.