Projeções de modelos climáticos analisados pela MetSul Meteorologia indicam que o pico de intensidade do atual episódio do El Niño ocorrerá no final deste ano, com máxima força concentrada nos meses de novembro e dezembro e redução gradual a partir do início de 2027.
Atualmente, a anomalia de temperatura na superfície do oceano na Região Niño 3.4 (faixa central do Pacífico Equatorial) registra +3,3°C pelo índice ONI, superando a marca histórica de +3°C registrada em 2015. As projeções apontam que o fenômeno pode alcançar valores próximos a +4°C em seu ápice. Se a estimativa se confirmar, o evento superará amplamente o patamar de +2°C — parâmetro utilizado para caracterizar um "Super El Niño" —, consolidando-se como o mais forte em pelo menos 150 anos de monitoramento.
A intensificação no segundo semestre decorre do enfraquecimento dos ventos alísios e da redistribuição de calor nas camadas profundas do oceano. No entanto, a meteorologista Estael Sias ressalta que a intensidade do aquecimento no Pacífico não possui relação linear com a magnitude dos impactos regionais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o evento de 2026 apresentou até o momento volumes de chuva inferiores aos verificados no ciclo de 2023, enquanto outros estados do país enfrentam severos acumulados de precipitação e enchentes.