O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta sexta-feira (9) uma operação contra um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha. A ação resultou em três prisões e investiga movimentações financeiras de aproximadamente R$ 32,3 milhões, além de ameaças contra devedores e suspeitas de ligação com uma facção criminosa.
Batizada de Operação Multiplicação, a ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Oito pessoas são investigadas por suspeitas de envolvimento em crimes de extorsão, usura, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Foram realizadas buscas em 13 locais das duas cidades. Durante o cumprimento das medidas judiciais, os agentes apreenderam armas, munições, celulares, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão analisados pelos investigadores.
A Justiça também determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados.
De acordo com o MPRS, o grupo oferecia empréstimos com juros elevados e, posteriormente, utilizava ameaças e intimidações para exigir pagamentos adicionais.
As cobranças, segundo a investigação, continuavam mesmo depois que as vítimas haviam pago os valores inicialmente combinados. Dessa forma, os devedores permaneciam submetidos a novas exigências financeiras.
O Ministério Público aponta ainda que os investigados utilizavam supostos vínculos com uma facção criminosa para aumentar o poder de intimidação durante as cobranças.
Em um dos episódios examinados pelo Gaeco, uma vítima contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, efetuou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Mesmo assim, continuou sendo cobrada.
Mensagens, áudios, comprovantes bancários e outros documentos reunidos na investigação são apontados pelo MPRS como evidências das exigências financeiras sucessivas.
Um dos episódios mais graves investigados envolve o incêndio de uma residência.
Segundo o Ministério Público, a casa de uma das vítimas foi incendiada como forma de ameaça durante a cobrança de um empréstimo.
Os investigadores apuram o episódio como parte das práticas de intimidação atribuídas ao grupo. Conforme o MPRS, a ação também teria a finalidade de intimidar outros devedores.
O caso integra a apuração sobre os métodos de cobrança utilizados pelos investigados, cujas atividades teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025.
A análise financeira realizada pelo Gaeco identificou transações que somam aproximadamente R$ 32,3 milhões.
De acordo com o Ministério Público, os investigados utilizavam contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, além de empresas e terceiros, para receber e movimentar recursos.
Também foram identificadas movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados.
Os investigadores buscam esclarecer a origem do dinheiro e verificar se contas bancárias, empresas, veículos e imóveis foram utilizados para ocultar recursos provenientes de atividades criminosas.
O valor de R$ 32,3 milhões representa o volume de transações financeiras analisadas, não sendo possível afirmar, com base nas informações divulgadas, que toda a quantia tenha origem ilícita.
A Operação Multiplicação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, também realizada pelo MPRS, que investigou a estrutura financeira de uma facção criminosa e os mecanismos utilizados para movimentar e ocultar recursos.
A nova etapa busca interromper as atividades atribuídas ao grupo, identificar outros envolvidos e ampliar o levantamento patrimonial relacionado à investigação. Outro objetivo é localizar possíveis vítimas que ainda não tenham sido identificadas.
A operação foi coordenada pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do 5º Núcleo Regional do Gaeco, na Serra. Também participaram os promotores Diego Pessi e João Fábio Munhoz Manzano, com apoio do 4º Batalhão de Choque da Brigada Militar.
O material apreendido será analisado para aprofundar a investigação e esclarecer a extensão das atividades atribuídas ao grupo.
Até as informações disponibilizadas para esta reportagem, não havia manifestação das defesas dos investigados.