Economia e Negócios Sem extravios
Armários inteligentes reduzem risco de extravios em condomínios
O volume de encomendas cresceu quase 35% em um ano, e a maioria dos prédios de Bento não tem ninguém na portaria para receber. Os armários inteligentes resolvem isso sem depender de porteiro — e tiram do condomínio um risco que poucos síndicos conhecem.
06/10/2026 17h55 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelo Dargelio

A cena é conhecida em qualquer prédio da cidade: caixas empilhadas num canto do hall, sacolas de delivery encostadas na parede, um pacote que ninguém sabe de quem é. Em Bento Gonçalves, onde a maior parte dos edifícios não tem porteiro, a pergunta que fica é simples e incômoda — quem recebeu aquilo, e quem responde se desaparecer?

O problema cresceu rápido. Só no primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico brasileiro registrou 756,7 milhões de pedidos, alta de 34,8% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Confi em parceria com o E-commerce Brasil. E há um detalhe que explica a confusão nos halls: o ticket médio caiu 13,3%, para R$ 275,50. Ou seja, as pessoas estão comprando mais vezes e em quantidades menores — o que significa muito mais caixas chegando, em muito mais viagens.

Como funciona o armário inteligente

 
 
 
 
 
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De acordo com o programador técnico da Infosat Security, João Gabriel Nuncio, o armário inteligente, também chamado de locker, é um módulo de compartimentos instalado em área comum do condomínio. A lógica é eliminar o intermediário.

Quando chega, o entregador é autorizado a abrir um compartimento disponível e deposita a encomenda ali. O sistema registra a operação e dispara automaticamente um aviso ao morador, com um código de retirada. O morador vai até o armário quando puder — no mesmo dia, à noite, no dia seguinte — informa o código e retira o pacote. Cada abertura fica registrada, com data e hora.

Ninguém precisa estar presente. Não há porteiro recebendo, não há vizinho guardando, não há pacote em cima do balcão esperando o dono aparecer.

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Onde não tem porteiro, a diferença é maior

É justamente nos prédios sem portaria que o armário muda mais a rotina. Sem ele, as alternativas são todas ruins: o entregador vai embora com a encomenda e o morador precisa remarcar, o pacote fica largado no hall à vista de qualquer um, ou alguém do prédio assume a guarda informalmente — e o problema só muda de lugar.

Nos prédios que têm portaria, o ganho é outro: o porteiro deixa de interromper a vigilância dezenas de vezes por dia para atender entregador, conferir pacote e anotar protocolo. É a função que mais tira o profissional do posto justamente nos horários de maior movimento.

O risco que o síndico talvez não conheça

Aqui está o ponto que normalmente passa batido nas discussões de assembleia.

A Lei federal 6.538, de 1978, estabelece que administradores, porteiros e zeladores de edifícios estão credenciados a receber objetos de correspondência, respondendo pelo seu extravio ou violação. Na prática, quando o condomínio passa a receber e guardar encomendas dos moradores, assume também o dever de guarda sobre elas — e, com isso, o risco de ser acionado quando algo some.

Especialistas em gestão condominial recomendam que o condomínio regulamente o assunto em assembleia, mantenha livro de protocolo com data, hora, destinatário e assinatura, e treine formalmente quem recebe. A orientação é correta, mas depende de disciplina humana diária.

O armário inteligente ataca o problema por outro caminho: ele encurta a cadeia de responsabilidade. Como o entregador deposita direto no compartimento e só o morador retira com código, não há uma terceira pessoa assumindo a guarda no meio do processo. E tudo o que acontece fica registrado no sistema, o que é exatamente o tipo de prova que falta quando um pacote desaparece.

Mais informações você pode obter com a Infosat Security pelo Whatsapp (54) 99260-8508.