A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu impedir a TV Globo de exibir o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no debate presidencial previsto para quinta-feira (1º), ocupou cargos no governo federal antes de assumir uma cadeira na Corte Eleitoral.
A decisão foi tomada após pedido da coligação de Lula. A magistrada também impediu que os candidatos presentes dirigissem perguntas ao presidente ausente. Segundo Estela Aranha, a regra poderia produzir consequências além da simples informação ao eleitor sobre o não comparecimento do candidato e gerar desequilíbrio entre as candidaturas.
O debate, que ocorreria a poucos dias do primeiro turno das eleições, acabou sendo cancelado pela Globo após mudanças judiciais nas regras do encontro e a desistência de candidatos.
Antes de chegar ao TSE, Estela Aranha ocupou funções no governo do presidente Lula. Ela atuou inicialmente no Ministério da Justiça e Segurança Pública, durante a gestão de Flávio Dino. Em janeiro de 2023, foi designada assessora especial do ministro e recebeu a atribuição de coordenar políticas, ações e projetos relacionados aos direitos digitais. Posteriormente, tornou-se secretária de Direitos Digitais da pasta.
Depois, Estela passou a atuar como assessora especial da Presidência da República. Em fevereiro de 2025, deixou o Executivo e passou a trabalhar como assessora no gabinete da Presidência do TSE, então comandado pela ministra Cármen Lúcia.
Em julho de 2025, Estela Aranha foi nomeada pelo presidente Lula para ocupar uma das vagas destinadas à classe dos juristas no Tribunal Superior Eleitoral.
A escolha presidencial ocorreu a partir de uma lista tríplice encaminhada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), procedimento previsto para o preenchimento dessas vagas no TSE. Estela tomou posse como ministra efetiva em 1º de agosto de 2025, para mandato de dois anos, com término previsto para agosto de 2027.
Além da atuação no governo federal, Estela integrou o Conselho Consultivo de Alto Nível das Nações Unidas sobre Inteligência Artificial e presidiu a Comissão Especial de Proteção de Dados do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Graduada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), sua trajetória profissional tem atuação concentrada principalmente nas áreas de direito digital, proteção de dados, privacidade e inteligência artificial.
Ao analisar o pedido apresentado pela coligação de Lula, Estela Aranha suspendeu a regra da Globo que previa a manutenção de um púlpito identificado para candidatos que não comparecessem ao debate.
A ministra considerou que a participação dos candidatos em debates é facultativa e que a exposição do espaço vazio poderia produzir consequências negativas ao ausente além da simples informação de que ele decidiu não participar.
A decisão também proibiu que os demais candidatos formulassem perguntas direcionadas a Lula durante o programa.