Bento Gonçalves Saúde
Prefeitura descumpre ordem judicial e menino é internado em hospital
Sentença obriga Município e Estado a garantir fisioterapia, fonoterapia e equipamentos a Luizinho, que vive acamado em Bento Gonçalves. Sem o atendimento, ele foi internado com pneumonia. A Prefeitura afirma que não pode comentar o caso.
15/09/2026 13h14 Atualizada há 2 horas
Por: Marcelo Dargelio

Um menino de 13 anos que vive acamado em Bento Gonçalves está internado com pneumonia quase quatro anos depois de a Justiça determinar que o Município e o Estado garantissem a ele atendimento de saúde em casa. A decisão tem eficácia imediata e prevê, entre outros itens, fisioterapia respiratória três vezes por semana — o procedimento que ajuda a manter as vias aéreas livres. Segundo a família, nada do que foi determinado chegou.

Luiz Henrique Chuquel Navarro, o Luizinho, depende integralmente de terceiros. Ele tem paralisia cerebral, epilepsia e quadro respiratório crônico, apresenta deformidade provocada por escoliose grave, alimenta-se exclusivamente por sonda de gastrostomia e está em cuidados paliativos. Conforme relato da família, o quadro é sequela de complicações e de uma parada cardíaca durante cirurgia realizada quando ele tinha 12 meses.

Quem cuida dele é a avó, Tania Navarro, que detém a guarda. "O Luizinho tem 13 anos. Ele é meu neto, mas eu tenho a guarda dele. Eu crio ele desde que ele teve paralisia cerebral numa cirurgia quando ele tinha 1 ano", contou.

O que a Justiça determinou

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Após quatro anos de tramitação na 2ª Vara Criminal e Juizado da Infância e da Juventude de Bento Gonçalves, o juiz João Carlos Inácio julgou procedente o pedido da família e determinou um plano de Atenção Domiciliar Multiprofissional, a ser custeado solidariamente pelo Município e pelo Estado. A sentença prevê:

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A decisão tem eficácia imediata, o que significa que deveria ser cumprida independentemente de recursos. A família afirma que nenhum dos serviços ou equipamentos foi entregue.

Da ausência de fisioterapia à internação

Sem a fisioterapia respiratória, o quadro se agravou. Luizinho está internado com pneumonia após broncoaspiração.

"Esse processo, que eu já até ganhei a sentença, se arrasta por quatro anos. Na época, o Luiz Henrique nem era tão grave quanto hoje. Hoje ele já entrou até no paliativo e atualmente está internado com pneumonia que aspirou, por conta que não tem fisioterapia. Se tivesse fisioterapia ele não tava no hospital", afirmou Tania.

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Além de Luizinho, ela cria outra criança, de 4 anos, com Transtorno Opositivo Desafiador e suspeita de autismo. "Não consigo nem na justiça os direitos dele, que ele ganhou fisioterapia, cama hospitalar. Nada disso me deram", relatou.

Michele, amiga da família que acompanha o caso, questiona a orientação que a avó teria recebido na Secretaria Municipal de Saúde, de buscar novamente o Judiciário. "Como entrar via judicial se já tem uma sentença? Eu disse pra advogada: o que adianta o juiz deferir uma sentença se o outro lado pode continuar recorrendo? Daqui a pouco a criança vem a óbito, eles ganham no cansaço", disse. Ela também afirma que a família é tratada com hostilidade quando procura o órgão.

O que diz a Prefeitura

Questionada sobre o motivo de a determinação judicial não ter sido cumprida e sobre a situação atual da criança, a Secretaria Municipal de Saúde de Bento Gonçalves respondeu em uma linha: "Devido a Lei de Proteção de Dados e por ser um caso judicializado a Secretaria de Saúde não pode fornecer informações."

O órgão não informou se o plano de Atenção Domiciliar foi elaborado, se os equipamentos foram solicitados, se há recurso em andamento ou qual o prazo para cumprimento.

Para quem enfrenta situação parecida

Quando uma decisão judicial de saúde não é cumprida, a família pode pedir o cumprimento de sentença ao mesmo juízo, com requerimento de multa diária ao ente público. O caminho é feito pelo advogado ou pela Defensoria Pública. Também é possível acionar a Promotoria da Infância e Juventude do Ministério Público, o Conselho Tutelar e a Ouvidoria do SUS.