A Cooperativa Vinícola Garibaldi encontrou um destino sustentável para o que sobra da produção do vinho. Desde a safra 2025, 100% dos resíduos do processamento da uva — bagaço, engaço, sementes e sedimentos da prensagem e da fermentação — são encaminhados para compostagem e transformados em biofertilizante, que retorna aos vinhedos dos produtores associados.
Os números dão a dimensão da iniciativa. A cooperativa processa, em média, 30 milhões de quilos de uva por ano, e cerca de 4,5 milhões de quilos — aproximadamente 15% do total — viram resíduo destinado à compostagem. Ao final do processo biológico, que dura em torno de dois anos, a estimativa é produzir cerca de 1,35 milhão de quilos de composto.
Segundo o enólogo Ricardo Morari, os resíduos da uva retêm cerca de metade dos nutrientes retirados do solo pela videira, e o biofertilizante devolve esse aporte às plantas. "Os biofertilizantes oferecem um aporte nutricional muito interessante para as plantas", afirma. A prática se conecta ao conceito de economia circular, em que o descarte de uma etapa vira insumo de outra.
A compostagem se soma a outras ações de sustentabilidade da cooperativa, como o reúso de água por meio de estações de tratamento, o uso de gás natural na geração de vapor e tecnologias de filtragem mais eficientes, como a centrifugação e a filtração tangencial.