Geral Deu ruim
PF investiga esquema de fraudes em licitações de R$ 406 milhões
Operação Terra Arrasada cumpriu 13 mandados de busca e apreensão; grupo é suspeito de manipular contratos para a venda de máquinas pesadas a órgãos públicos.
27/08/2026 07h54
Por: Marcelo Dargelio

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (27), a Operação Terra Arrasada para investigar um suposto esquema de fraudes em licitações destinadas à compra de máquinas pesadas de terraplenagem. Conforme a PF, contratos firmados com órgãos públicos entre 2017 e 2026 ultrapassam R$ 406 milhões.

A investigação apura indícios de sobrepreço, pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e lavagem de dinheiro. O esquema teria alcançado centenas de municípios do Rio Grande do Sul.

Segundo a Polícia Federal, o grupo empresarial utilizava companhias formalmente independentes, mas controladas pelos mesmos responsáveis, para simular concorrência nos processos licitatórios. As propostas seriam previamente combinadas para manter os preços artificialmente elevados.

Os investigados também teriam utilizado adesões a atas de registro de preços como forma de reduzir a concorrência. Há ainda suspeitas de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para favorecer contratações de interesse do grupo.

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No período investigado, as empresas venderam 724 máquinas a órgãos públicos. Aproximadamente 40% do valor dos contratos teria sido financiado com recursos federais.

Mandados e bloqueio de bens

A operação cumpriu 13 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. Foram oito em Venâncio Aires e um em cada uma das cidades gaúchas de Santa Cruz do Sul, Lajeado, Canoas e Santa Maria. Outro mandado foi cumprido em Jacareí, no interior de São Paulo.

Durante as diligências, foram apreendidos oito veículos de luxo, além de celulares e documentos que serão analisados pela Polícia Federal.

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A Justiça também determinou o sequestro de imóveis e veículos até o limite aproximado de R$ 14 milhões, valor correspondente ao prejuízo estimado contra a União.

Três empresas investigadas tiveram suspenso o direito de participar de novas licitações e de firmar contratos com órgãos das administrações públicas federal, estaduais e municipais.

Os envolvidos poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações continuam.