Política Segurança
Pesquisa aponta que 29% das mulheres sofrem violência sem se reconhecerem como vítimas
Levantamento revela subnotificação cultural e desinformação sobre direitos; no Rio Grande do Sul, 19% das vítimas ainda residem com os agressores
26/08/2026 22h17
Por: Redação
Foto: Freepick

Uma em cada três mulheres brasileiras viveu alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses, contudo a maioria não identifica o abuso de forma espontânea. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, desenvolvida pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), apenas 4% das entrevistadas declararam abertamente ter sofrido agressão. Outras 29% relataram episódios concretos de violência doméstica, mas não se reconheceram formalmente como vítimas.

O levantamento, que ouviu 21.641 mulheres em todo o país, revela ainda lacunas significativas no acesso à informação e na percepção de segurança. Cerca de 78% das entrevistadas afirmam conhecer pouco (67%) ou nada (11%) sobre os mecanismos da Lei Maria da Penha. Além disso, 79% da população feminina avalia que a violência doméstica aumentou no último ano. Na análise dos agressores, 62% dos casos envolvem maridos ou companheiros. No Rio Grande do Sul, a pesquisa indica que 19% das mulheres agredidas ainda coabitam com os autores da violência — índice superior à média nacional de 12%.

Resumo da Pesquisa DataSenado:

  • Subnotificação: 29% vivenciaram situações de violência sem se declararem vítimas; apenas 4% relataram o crime espontaneamente.

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  • Desinformação: 78% das brasileiras possuem pouco ou nenhum conhecimento sobre a Lei Maria da Penha.

  • Agressores: Em 62% dos episódios nacionais, o agressor é o marido ou parceiro; no RS, 19% ainda moram sob o mesmo teto que o agressor.

  • Percepção de Aumento: 79% das entrevistadas acreditam que a violência doméstica cresceu nos últimos 12 meses.

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  • Machismo: 70% consideram o Brasil um país muito machista, e 49% apontam a rua como o local de maior desrespeito à mulher.

Especialistas e gestores públicos destacam que a falta de identificação da violência funciona como uma barreira anterior ao acesso aos serviços de acolhimento e proteção. De acordo com os coordenadores do projeto, o fortalecimento das redes de apoio — como Delegacias da Mulher (conhecida por 93%), Defensoria Pública (87%) e a Central 180 (76%) — precisa vir acompanhado de campanhas educativas que capacitem as mulheres a reconhecer as agressões e a buscar os canais de denúncia.