Rio Grande do Sul Violência sem fim
Tio confessa ter agredido e matado menina de 4 anos
Suspeito de 22 anos foi preso preventivamente três dias depois de levar a criança sem vida a uma UPA
20/08/2026 14h59
Por: Marcelo Dargelio
Menina Samylle foi morta pelo tio Nicola por ter feito cocô na calça - Fotos: Reprodução

Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos, confessou ter matado a sobrinha Samylle Valentina Borba Ramiro, de quatro anos, segundo a Polícia Civil. O homem foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira, 20, em Porto Alegre.

O atestado de óbito apontou politraumatismo como causa da morte. O termo é utilizado quando a vítima apresenta lesões graves em mais de uma região do corpo. Samylle chegou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na Zona Leste da Capital, já sem vida e com diversos hematomas.

Na delegacia, ele confessou ter agredido a menina após ela ter feito cocô nas calças. Segundo Nicolas, a agressão foi com o intuito de correção, com o intuito de ensiná-la a não fazer novamente. O acusado declarou que só deu palmadas na criança e não usou outro objeto para agredi-la.

Samylle vivia havia aproximadamente dois meses na casa de uma tia e do companheiro dela, tratado como tio da criança. Na madrugada de segunda-feira, 17, o casal levou a menina até a UPA. Conforme o relato prestado pela tia à polícia, ela chegou do trabalho e encontrou a sobrinha saindo do banho, com lesões aparentes. A mulher teria questionado o companheiro sobre os ferimentos, e os dois discutiram.

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Depois disso, a menina foi colocada na cama. Ao passar pelo quarto mais tarde, a tia teria encontrado Samylle desacordada, com espuma na boca e sinais semelhantes aos de uma convulsão. O casal levou a criança para atendimento, mas os profissionais constataram que ela já estava morta.

Os médicos acionaram a Brigada Militar depois de identificarem marcas compatíveis com violência. Staubus deixou a UPA quando os policiais chegaram, comportamento que passou a ser analisado pelos investigadores. O suspeito foi localizado e preso preventivamente na quinta-feira, quando confessou o crime, segundo a delegada Alice Fernandes.

O que a polícia ainda procura esclarecer

A confissão atribui ao suspeito a autoria da morte, mas não encerra a investigação. A Polícia Civil ainda precisa reconstruir a sequência das agressões, determinar quando cada ferimento foi provocado e esclarecer o motivo do crime.

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A Justiça autorizou a extração dos dados de um celular apreendido na residência onde Samylle vivia. O conteúdo de mensagens, ligações e outros registros do aparelho é considerado importante para compreender o contexto da morte e verificar o que ocorreu antes de a criança ser levada à unidade de saúde.

Antes da prisão, exames preliminares já indicavam que Samylle havia morrido em decorrência de politraumatismo. A hipótese inicial de violência sexual, levantada pela equipe médica por causa das condições em que a criança chegou à UPA, não foi confirmada nos primeiros exames. A investigação inicialmente apurava o caso como suspeita de maus-tratos e agressão.

Mãe não via a filha havia dois meses

A mãe de Samylle prestou depoimento na quarta-feira, 19, e afirmou que não mantinha contato presencial nem por videochamada com a filha havia cerca de dois meses. Segundo a defesa da mulher, os tios impediam as visitas e as conversas por telefone.

A mãe relatou que, após se separar do companheiro e passar a morar na casa de uma amiga, não teve condições de levar as duas filhas. A mais velha foi morar com o pai, enquanto Samylle ficou inicialmente sob os cuidados de uma pessoa de confiança da família. Pouco depois, a tia levou a menina para sua residência.

Embora a mãe possuísse a guarda unilateral, Samylle permanecia com os tios. As circunstâncias dessa mudança e a atuação da rede de proteção também são apuradas. Antes da confissão, a polícia considerava fundamental ouvir o homem que vivia com a tia da criança.

Staubus permanece preso preventivamente. A Polícia Civil deverá reunir a confissão, os laudos periciais, os depoimentos e os dados extraídos do celular antes de concluir o inquérito e definir por quais crimes ele será indiciado.